Domingo, 29 de Novembro de 2020
Editorial

Votar é preciso


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21/11/2020 às 07:44

Apesar de ter registrado um dos menores índices de abstenção do País no primeiro turno das eleições realizado no último domingo, o número de eleitores que deixaram de ir às urnas foi bastante elevado. Foram mais de 242 mil que preferiram não votar, o que representa 18,23% de abstenção. Em termos comparativos, na eleição de 2016, em um cenário sem pandemia, a abstenção foi de 8,59% no primeiro turno. Esse dado cresce em importância quando se leva em conta que a diferença entre o primeiro e o segundo colocado na votação em Manaus foi inferior a dois pontos percentuais. O quadro se agrava quando consideramos os 4% que votaram em branco, e os 6% que preferiram anular o voto. 


Com isso, entre abstenções, votos em branco e votos nulos, temos um contingente de eleitores que poderia facilmente mudar o rumo da eleição. O número de abstenções foi maior que o número de votos no terceiro colocado, por exemplo. Além de conquistar os votos dos eleitores que preferiram os demais candidatos no primeiro turno, Amazonino Mendes e David Almeida têm uma semana para tentar convencer a gigantesca fatia de eleitores que não optaram por ninguém no primeiro turno. 


Diversos fatores concorrem para a decisão de se omitir nas eleições. O principal motivo apontado pelos especialistas é a própria pandemia do novo coronavírus, que afastou das urnas, principalmente, os eleitores mais idosos. Não há pesquisas que apontem com clareza os demais motivos para a alta nos índices de abstenção, votos em branco e nulos, mas é razoável deduzir uma certa onda de descrédito com a política. Esse sentimento por parte do eleitor ficou evidente nos resultados colhidos em Porto Velho, Palmas, Natal, João Pessoa, Curitiba, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Goiânia. Nessas capitais, os votos brancos, nulos e as abstenções superaram a votação do primeiro e do segundo colocado juntos. O mesmo aconteceu em São Paulo, onde as abstenções foram maiores que a soma dos votos recebidos por Covas e o candidato do PSOL, Guilherme Boulos. Os prefeitos e vereadores que tomarem posse em 2021, assim como toda a classe política brasileira, terão também a missão de contribuir para a reversão desse quadro. O eleitor precisa ser convencido de que votar é preciso, que vale a pena exercer o direito democrático de eleger nossos representantes, e que a mudança só virá com o voto responsável e consciente.
 


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