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Editorial

Voto com responsabilidade

12/06/2016 às 07:19
Show congresso

Ninguém minimamente informado duvida que nosso sistema político, principalmente no que diz respeito às eleições, ainda está longe do ideal. Chegamos ao cúmulo de ter os presidentes das duas principais casas Legislativas do País envolvidos em denúncias de corrupção e correndo o sério risco de serem presos. Temos um presidente interino chantageado diariamente pelos parlamentares que deveriam ajudá-lo a administrar o País. A impressão é que nunca a população esteve tão mal representada. 

Mas houve avanços que merecem destaque. Um deles foi a lei da ficha limpa, que torna inelegíveis os gestores públicos condenados por colegiados, inclusive tribunais de contas. A maturidade e consciência eleitoral da maioria das pessoas ainda é muito baixa. Não se tem plena noção da responsabilidade inerente ao voto. Se houvesse, não seria necessário criar uma lei para afastar do alcance do eleitor pessoas que, comprovadamente, fizeram mal uso dos recursos públicos. Se teve as contas reprovadas, deveria ser automaticamente “limado” pelos eleitores. Mas, se não fosse a aplicação da lei, o mau gestor iria se candidatar e teria grandes chances de ser eleito, pois a eficiência administrativa, infelizmente, não está entre os principais critérios levados em conta pelos eleitores na hora de escolher seus candidatos. 

É por isso que convivemos com corruptos famosos ocupando cargos públicos e sendo reeleitos seguidamente apesar de seus delitos serem amplamente conhecidos. Há um enorme contingente de eleitores dispostos a votar no corrupto, a reeleger o mau gestor a perpetuar na função pública aquele que responde na Justiça pelos mais terríveis crimes. Se o prefeito de certo município do interior não estivesse preso em Manaus, e inelegível por força da lei da ficha limpa, ele não teria nenhuma dificuldade em voltar ao comando da prefeitura em seu município. 

O Tribunal de Contas da União divulgou lista com todos os gestores com contas reprovadas em processos envolvendo recursos federais. A lista inclui 236 gestores do Amazonas, sendo vários prefeitos. A população precisa ter atenção redobrada sobre esses administradores e os candidatos que eles apoiam. No atual cenário político e econômico do País, o eleitorado precisa urgentemente, aprender a votar.