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Editorial

Voto de confiança

12/05/2016 às 22:26
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O muro instalado em frente ao Congresso Nacional com a função de separar apoiadores e opositores da presidente Dilma Rousseff já foi desmontado, mas a divisão do País permanece, mesmo com o afastamento da presidente. Antes havia os que torciam pela queda da presidente, e encontravam nos indicadores de desemprego, desaquecimento da economia e recessão os argumentos para justificar sua posição anti-governo, valendo-se da velha máximo do “quanto pior melhor”.

Agora, com o afastamento da presidente, os lados se invertem, e o País segue dividido entre os que  esperam que o novo governo tenha sucesso na condução do País e os que reprovam Temer de antemão - incluídos aí os militantes que ainda mantém a esperança no retorno de Dilma com uma improvável absolvição no processo de impeachment, e muitos dos que odeiam Dilma, mas veem o presidente interino apenas como mais um corrupto, com o agravante de já estar inelegível por ser um “ficha-suja”.  

O argumento do “quanto pior melhor” é inócuo em qualquer circunstância. Quem adota essa máximo está, na verdade, torcendo contra o Brasil. Nesse momento de transição, mesmo os apoiadores da presidente afastada, se mantida a lucidez, precisam dar um voto de confiança ao novo governo porque, no momento, é o único que temos. 

Também há um outro problema que precisa ser encarado: a péssima qualidade da classe política, com muitos deputados e senadores envolvidos em corrupção. Infelizmente, não é possível administrar o País sem o apoio e participação dessa classe (podem perguntar a Dilma). Então temos um ministério recém-empossado com alguns ministros condenados por corrupção, investigados na Lava Jato, citados em delações premiadas e envolvidos em vários escândalos. 

Aos brasileiros cabe fazer uma mea culpa, afinal, os mandatos dos políticos foram obtidos por meio do voto. Eleitores foram às urnas e deram votos suficientes para que fossem eleitos. Uma mudança na qualidade dos representantes depende do nível de consciência política do próprio eleitorado. 

Por enquanto, é o que temos. Algumas medidas anunciadas ontem lançam sinais positivos ao País. A pacificação é necessária, assim como a união e o esforço de todos para que o País volte aos trilhos e retome o rumo do crescimento.

Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil (01/01/2015)