Publicidade
Editorial

ZFM em franco declínio

02/12/2018 às 08:30
Show zona franca alterar 1d268fec 2c15 484b 8648 f93c30fc74d5

Lideranças políticas, empresariais e a sociedade do Amazonas como um todo precisam encarar o fato de que a Zona Franca de Manaus, que desde a década de 60 tem sido o motor da economia amazonense, está em franco declínio. Essa tomada de consciência é necessária para que se abandone a inércia e se tomem atitudes concretas, seja para salvar o modelo, seja para viabilizar a construção de um outro caminho.

Os sinais estão aí: fechamento de fábricas e perda de postos de trabalho são os mais evidentes. Nos últimos cinco anos, a Zona Franca perdeu quase 30% da mão de obra empregada. Grandes players da indústria mundial abandonaram o Amazonas por motivos diversos, quase sempre relacionados à competitividade. É o caso da alemã Siemens e da  japonesa Sanyo, entre tantas outras.

Esse declínio não decorre  principalmente dos efeitos da crise econômica que se abateu sobre o mundo na década passada e cujos reflexos são bem nítidos no Brasil ainda hoje. Outros fatores como a incapacidade de diversificar dinamicamente a produção, a persistência de eternos gargalos logísticos e até mesmo o “fogo amigo” por parte do próprio governo federal contribuem para que a Zona Franca deixe de ser a “galinha dos ovos de ouro” do Amazonas.

Desde seu nascimento na década de 1960, a indústria local sempre foi baseada principalmente em dois segmentos: eletroeletrônicos e duas rodas. É pouco para um modelo que está autorizado pela Constituição Federal a produzir, com incentivos fiscais, tudo, exceto armas, carros de passeio, tabaco e derivados de álcool. Mais de 50 anos depois, a Zona Franca continua com o mesmo perfil industrial, não houve diversificação, o que deixou o modelo vulnerável às transformações do mercado. 

O que acontece hoje é uma concentração de fatores que apenas aceleram a derrocada. A sobrevida da Zona Franca, ou mesmo a volta por cima, é possível. Depende bastante do tratamento que a ela será dispensado pelo governo federal a partir de janeiro de 2019. E esse tratamento estará diretamente relacionado à capacidade de negociação da nova bancada do Amazonas no Congresso Nacional e do próprio empresariado local, que foi a carreatas, fez campanha, vestiu a camisa, postou fotos fazendo “revólver” com as mãos. É hora de lutar pelo Amazonas e pelo fortalecimento real da ZFM, antes que seja tarde.