Domingo, 21 de Julho de 2019
Editorial

ZFM em meio a desencontros


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04/07/2019 às 07:58

Reviravolta no chamado “Plano Dubai”, que seria a alternativa do governo federal para substituir a Zona Franca de Manaus. O Ministério da Economia diz, agora, que tal plano, de fato, não existe.  Está muito claro o que aconteceu: após as críticas e a reação das classes política e empresarial do Amazonas, o governo fez o que costuma fazer nessas situações, recuou e jogou a culpa na imprensa.

Segundo a explicação do secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec), do Ministério da Economia, Carlos Alexandre da Costa, o que houve foi um “estrondo” na comunicação. Um jornalista teria entendido errado a explicação que ele deu a respeito da necessidade de novas bases econômicas no Amazonas. O tal plano Dubai teria sido apenas uma comparação mal interpretada. Não deixa de ser curioso que o Plano tenha sido divulgado em um dos jornais mais respeitados do País, tenha sido detalhado por autoridades do próprio governo federal e só agora, semanas após a repercussão da notícia, o secretário venha dizer que não é bem assim.

O episódio é mais um desgaste para o governo, mas há um fato que precisa ser reconhecido pela Sepec, pela Suframa, pelos políticos, enfim, por todos aqueles realmente preocupados com o futuro da Amazônia: Manaus precisa de um “plano Dubai”, um que não seja fake, resultado de uma entrevista “mal interpretada” ou das ilações de um membro do governo que depois se viu forçado a desmentir. O Amazonas precisa de um planejamento coordenado entre os governos federal e estadual para, de fato, desenvolver os eternos potenciais da região, como turismo, piscicultura e fruticultura. Esse plano - seja Dubai, Tokio, Nova Iorque ou que seja - não pode começar em 2073, com o fim dos incentivos da Zona Franca, precisa ter início o mais rápido possível, enquanto há tempo para que esses segmentos se fortaleçam e se desenvolvam a ponto de sustentar a economia regional daqui a 50 anos.

Outro aspecto que o governo federal precisa levar em conta é que, enquanto essa nova economia não sai do papel, o Amazonas vai continuar  precisando da Zona Franca firme e forte. A redução por decreto  da competitividade do modelo não contribui para esse fortalecimento, muito pelo contrário. É função da classe política cobrar do governo essa postura em relação ao Amazonas e à Zona Franca.


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