ABORDAGEM MODERADA

Presidente do Sindarma defende diálogo para diminuir ações de 'piratas dos rios'

Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial do Amazonas, capitão Joe Bastos, o surgimento dos criminosos dos rios acontece após total abandono por parte do poder público

Lucas Vasconcelos
15/01/2022 às 11:27.
Atualizado em 08/03/2022 às 18:12

(Foto: Gilson Mello)

A insegurança na navegação fluvial é uma realidade vivenciada na região da bacia hidrográfica amazônica. Os ataques de piratas aos navios e outros tipos de embarcações, a falta de segurança no transporte de cargas nos rios do Amazonas, provocam prejuízos anuais de R$ 100 milhões apenas em produtos roubados, conforme dados da Confederação Nacional dos Transportes (CNT).

O setor fluvial no Amazonas está passando por uma situação de urgência, principalmente neste período do ano quando os ataques se intensificam. De acordo com o Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial do Amazonas (Sindarma), somente em 2021, três tripulantes foram assassinados em ataques, além de dezenas de feridos em tiroteios, agressões graves, espancamentos e até casos notificados de mutilação de orelhas de marinheiros.

E é neste cenário conturbado onde se vê a extrema necessidade de assistência social, jurídica e psicológica que o Sindicato dos Fluviários da Seção de Convés do Estado do Amazonas (Sinflur-AM) surge.

Fundado no dia 11 de outubro de 2021, o sindicato realizou sua primeira assembleia de posse de nova diretoria para uma gestão de quatro que pretende atender essa categoria.

Segundo o presidente do Sindflur-AM, capitão Joe Bastos, uma das missões presentes no estatuto é de amparar estes trabalhadores.

"Existem muitos problemas. Estamos presenciando alguns fatos que estão ocorrendo. As abordagens de determinadas situações com ações violentas. Temos um corpo de colaboradores com psicóloga, assistentes sociais para cuidar dessa parte. Porque as pessoas se sentem prejudicadas e até psicologicamente afetadas", destacou.

Questionado sobre como o sindicato observa a ação destes "piratas fluviais", o capitão Joe Bastos comenta que pode não resolver a origem do problema, mas que se propõe junto aos órgãos de segurança pública e ambiental a reintegrar essas pessoas à sociedade.

"É uma atitude de agressividade, nós estamos entre esse embate. Os empresários e essas pessoas que se acham injustiçadas pelas formas que estão sendo tratadas. E muitos destes brasileiros que estão por aí espalhados, se sentem abandonados pelo Estado e, quando isso ocorre, passam a tomar suas próprias decisões e muitas vezes erradas. Nós precisamos consertar isso. A sociedade tem que ver isso não como pessoas que não tem sentimento ou que não possam ser reintegrados à sociedade", comentou Bastos.

O capitão Joe Bastos reforça a necessidade de haver um diálogo claro entre as categorias para evitar futuros conflitos.

"Eu creio que neste ponto de vista, tendo uma resposta positiva para esta categoria que está tomando essas atitudes possa ser amenizado e reduzido essas ações agressivas. Até já foi divulgado que é uma forma que eles [piratas] sentiram e acharam forçar os órgãos públicos a tomarem alguma decisão. Por aqui, continuaremos nosso trabalho porque envolve vidas", descreve

"Podemos pedir que a sociedade possa se reunir e focar na origem desse problema que pode ser resolvida. Existe órgão competente para isso. Estamos nessa luta para dar o primeiro passo de acesso à essas instituições", concluiu o capitão.

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