mês de conscientização

Musicoterapia auxilia comunicação e regulação emocional no autismo

Abordagem terapêutica usa a música para estimular vínculo, reduzir ansiedade e melhorar qualidade de vida

acritica.com
22/04/2026 às 14:56.
Atualizado em 22/04/2026 às 14:56

(Foto: Freepik)

Com o aumento dos diagnósticos de autismo, cresce também a procura por abordagens que auxiliem na comunicação, na regulação emocional e na qualidade de vida. Nesse cenário, a musicoterapia tem ganhado espaço como ferramenta terapêutica baseada em evidências científicas e capaz de acessar áreas do cérebro que, muitas vezes, a linguagem verbal não alcança.

Segundo dados do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), uma em cada 31 crianças está dentro do espectro autista. No Brasil, estimativas apontam cerca de 2,4 milhões de pessoas autistas.

De acordo com o musicoterapeuta Gustavo Gattino, a música ativa diferentes regiões cerebrais ligadas à emoção, memória, atenção e linguagem, o que potencializa seu uso terapêutico.

“A música tem acesso direto ao cérebro emocional. Ela organiza, regula e cria conexões que muitas vezes não conseguimos acessar apenas pela fala. Por isso, se torna uma ferramenta potente dentro dos processos terapêuticos, especialmente no autismo”, afirma.

Benefícios no dia a dia

Pessoas autistas podem enfrentar desafios relacionados à comunicação, sobrecarga sensorial e dificuldade de regulação emocional. Nesse contexto, a musicoterapia utiliza ritmo, som e interação como recursos terapêuticos.

“A musicoterapia não é apenas ouvir música. É uma intervenção estruturada, com objetivos claros, que trabalha comunicação, vínculo e organização emocional”, explica o especialista.

Segundo ele, o ritmo exerce papel importante por oferecer previsibilidade e segurança.

“O ritmo organiza o cérebro. Ele traz previsibilidade, segurança e ajuda a reduzir a ansiedade, algo essencial para muitas pessoas no espectro”, destaca.

Uso em casa

Além do ambiente clínico, a música também pode ser incorporada à rotina por pais e cuidadores como ferramenta de apoio.

Entre as estratégias recomendadas estão:

  • usar músicas para sinalizar atividades, como hora de dormir ou refeições;
  • criar rotinas com sons previsíveis;
  • utilizar o ritmo para acalmar em momentos de agitação;
  • estimular interação com canções simples.


“A música cria um ambiente mais previsível e acessível. Para muitas pessoas autistas, isso faz toda a diferença”, afirma.

Campo em crescimento

Apesar do avanço das pesquisas, especialistas avaliam que a musicoterapia ainda é pouco explorada no Brasil, mas tende a ganhar mais espaço diante da busca por tratamentos integrados.

“Existe uma procura crescente por caminhos que realmente funcionem na vida das pessoas. A musicoterapia ocupa esse espaço e ainda tem muito potencial de crescimento”, conclui Gustavo Gattino.
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