Sábado, 19 de Junho de 2021

“Atraso fatal e doloroso”, dizem membros da CPI sobre fala de Bolsonaro

Para senadores, fala do presidente em defesa da vacina deveria ter sido materializada com a compra das 130 milhões de doses que foram rejeitadas


3066EF48-2BFF-4A42-8E56-3648618A16C3_DC2F418F-DD9E-49CF-861E-2B7BD10C1ABF.jpeg

Nove senadores membros da CPI da Pandemia assinam nota, na noite desta quarta-feira, criticando o que chamam de “atraso fatal e doloroso” do presidente Jair Bolsonaro em relação às vacinas contra a Covid-19.

A nota é em resposta ao pronunciamento do presidente Bolsonaro em cadeia nacional, no qual ele destacou o processo de vacinação e disse que, até o fim do ano, todos os brasileiros que “assim desejarem” estarão vacinados.

“Um atraso de 432 dias e a morte de quase 470 mil brasileiros, desumano e indefensável. A fala deveria ser materializada na aceitação das vacinas do Butantan e da Pfizer no meio do ano passado, quando o governo deixou de comprar 130 milhões de doses, suficientes para metade da população brasileira. Optou-se por desqualificar vacinas, sabotar a ciência, estimular aglomerações, conspirar contra o isolamento e prescrever medicamentos ineficazes para a Covid-19”, diz a nota.

Assinam a nota o presidente da CPI, Omar Aziz, o vice, Randolfe Rodrigues, o relator, Renan Calheiros, e mais quatro titulares: Tasso Jereissati, Otto Alencar, Humberto Costa e  Eduardo Braga. Além deles, mais dois suplentes também subscreveram o conteúdo: Alessandro Vieira e Rogério Carvalho. 

Leia a nota na íntegra: 

A inflexão do Presidente da República celebrando vacinas contra a Covid-19 vem com um atraso fatal e doloroso. O Brasil esperava esse tom em 24 de março de 2020, quando inaugurou-se o negacionismo minimizando a doença, qualificando-a de ‘gripezinha’.

Um atraso de 432 dias e a morte de quase 470 mil brasileiros, desumano e indefensável. A fala deveria ser materializada na aceitação das vacinas do Butantan e da Pfizer no meio do ano passado, quando o governo deixou de comprar 130 milhões de doses, suficientes para metade da população brasileira. Optou-se por desqualificar vacinas, sabotar a ciência, estimular aglomerações, conspirar contra o isolamento e prescrever medicamentos ineficazes para a Covid-19.

A reação é consequência do trabalho desta CPI e da pressão da sociedade brasileira que ocupou as ruas contra o obscurantismo. Embora sinalize com recuo no negacionismo, esse reposicionamento vem tarde demais. A CPI volta a lamentar a perda de tantas vidas e dores que poderiam ter sido evitadas.  


Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.