Sábado, 19 de Junho de 2021

Moratória sugerida por Saraiva resolve parte do problema, dizem ambientalistas

Ex-superintendente da PF no Amazonas sugeriu bloqueio na compra de madeira brasileira como medida para conter desmatamento


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A ideia de uma moratória para a madeira brasileira, defendida pelo ex-superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva, é vista com ressalvas por ambientalistas que atuam no Amazônia. Sozinha, dizem eles, a moratória não apenas é infrutífera, ela pode piorar a situação de quem explora esse recurso natural dentro na lei.

Para o superintendente da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Virgílio Viana, a moratória tem certo sentido no cenário atual, em que predomina a ilegalidade. A medida, porém, precisa vir acompanhada da reestruturação do setor madeireiro. “É um setor importante, que pode contribuir inclusive para a manutenção da floresta, por meio de projetos de manejo”, explica.

Viana defende que as instituições que têm selo verde internacional, caso da Mil Madeiras em Itacoatiara, deveriam ser autorizados a manter suas atividades, ficando de fora da moratória. E que o projeto de reestruturação do setor de madeira contemple estímulos à profissionalização, de forma que tenhamos uma “economia florestal sustentável”.

Rapina descontrolada

A preocupação com quem adota boas práticas de manejo é compartilhada pelo diretor executivo da Associação Conservação da Vida Silvestre (WCS), Carlos Durigan. Para ele, a moratória pode ajudar a “conter a rapina descontrolada do produto na região”, mas é uma medida difícil de se implementar sem estrutura de inteligência, logística e pessoal e sem que se gere alternativas para as pessoas que vivem da floresta e seus recursos.

“O ideal seria termos uma política clara e focada no uso sustentável dos recursos florestais, onde se implementem e apoiem ações voltadas ao manejo sustentável em áreas onde isso é possível e ao mesmo tempo em que se estruturem programas de monitoramento, controle e fiscalização e através destes se possa coibir as atividades degradantes e ilegais”, opina Durigan.

Certificação não é válida

A ideia da moratória para a madeira brasileira foi apresentada por Alexandre Saraiva em entrevista ao programa Roda Viva esta semana. Segundo ele, para frear o desmatamento, “a sociedade tem que começar a fazer a parte dela”. “Eu defendo a moratória. Os países (estrangeiros) deveriam parar imediatamente de comprar madeira brasileira. E a sociedade brasileira também”.

Saraiva diz que a certificação de origem que existe hoje no mercado nacional não é válida pois não há cadeia de custódia para transporte, depósito e logística da madeira. O delegado foi afastado do comando da PF do Amazonas após apresentar notícia-crime contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Segundo ele, Salles tentou prejudicar a Operação Handroanthus, que fez apreensão recorde de madeira na Amazônia.
 


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