Quinta-feira, 04 de Março de 2021

Setores culturais rebatem fala de Dermilson Chagas contra esporte e a cultura

'Mobiliza Cultura' lembrou ao deputado que artistas também estão morrendo de Covid e precisando de apoio; Fetam comparou parlamentar ao Creonte da mitologia grega, de 'representação frágil e efêmera'


50908720857_4177c37632_c_FE45DEBC-F0BD-4BC3-8085-CF8341A062A9.jpg (Foto: Danilo Mello / Aleam)

A declaração do deputado estadual Dermilson Chagas (Podemos) em defesa do corte de verbas para cultura e esporte para direcionar os valores para o combate à pandemia do coronavírus não foi (nada) bem recebida pelos representantes de setores culturais. 

O movimento ‘Mobiliza Cultura Amazonas’ publicou nota afirmando que o parlamentar errou o alvo ao sugerir que investimentos nestes setores são desnecessários. “Os setores mais afetados por essa pandemia são ligados ao esporte e à cultura, pois com as restrições a essas atividades, foram logo suspensas e ainda não retornaram em sua plenitude. Estamos em casa, sem trabalho, sem renda!”, destacou o grupo.

O manifesto do grupo usou uma fala forte para situar o deputado sobre a realidade enfrentada pela categoria. “Sr. Deputado, trabalhadores da cultura, principalmente os artistas, também estão em situação calamitosa, também estão adoecendo de Covid-19, também estão dependendo de campanhas solidárias para comprarem oxigênio, também estão morrendo”. 

A Federação de Teatro do Amazonas (Fetam), por sua vez, afirmou que a fala de Dermilson “expõe a sua total falta de compreensão da importância da cultura, do turismo e do esporte para a economia do Amazonas. Estudiosos afirmam que, após a imunização, a mola propulsora da economia mundial vão ser a cultura e o turismo. Fortaleçam os setores da cultura e do turismo em vez de retirar o ínfimo recurso destinado a eles".

Na nota publicada nas redes sociais, a Fetam ainda cita a nada honrosa figura da mitologia grega Creonte, da história de Antígona, criada por Sofócles. “Não lhe culpo, pois, assim como Creonte, o lugar que você ocupa e sua representação é deveras frágil e efêmera. A culpa da tragédia não é do povo. (...) Democracia é o poder do povo. Não quer dizer o poder do povo escolhido por Creonte, sr. Dermilson”, assevera a nota, que ainda acrescenta a abertura ao diálogo e um apelo para que o parlamentar “não soterre os resquícios do que ainda temos de investimentos à cultura”. 


 


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