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Agricultores que moram próximo ao local onde será construída a Cidade Universitária terão que sair do terreno

Área que receberá a Cidade abriga 300 agricultores que vivem em três comunidades do município vizinho 13/07/2012 às 07:15
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Francisco revela que governo já conversou com moradores do lago do Teste
Florêncio Mesquita Manaus

A área de 13 milhões de metros quadrados onde será construída a Cidade Universitária da Universidade do Estado do Amazonas, no município de Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus) abriga três comunidades distribuídas nas margens dos lagos do Teste, do Guedes e do Cacau Pirera. São aproximadamente  300 moradores. Todos trabalham com agricultura, mas há seis meses tiveram que paralisar o cultivo da terra a pedido do Governo do Estado que já preparando a saída deles do terreno.  

Para chegar à comunidade Nossa Senhora de Nazaré, no lago do Teste, por exemplo, o condutor num veículo sem tração nas quatro rodas leva 21 minutos do quilômetro 13 da rodovia AM-070, a Manoel Urbano, ramal a dentro. A pequena estrada é estreita e permite, na maior parte do caminho, a passagem apenas de um carro por vez. A via é toda de barro e possui trechos com subidas, descidas e curvas acentuadas.

O lago possui água negra de onde a comunidade pesca para o  consumo próprio. Ao longo do trajeto, a paisagem é toda verde contrastada com as casas de sítios e chácaras que ficam antes da comunidade. Parte dessa  área dará espaço a construção de restaurantes, hospitais e outros prédios projetados para a Cidade Universitária. Só a construção das unidades educacionais do campus universitário ocupará uma área de 1,5 milhão de metros quadrados,

O Governo do Estado já começou o levantamento para a indenização das famílias que moram no terreno. A desapropriação foi discutida com as comunidades pela primeira vez no início do ano. No próximo sábado, os moradores terão a segunda reunião sobre o assunto.

Os próprios moradores já se preparam para sair mesmo sem saber para onde. A maioria nasceu, foi criada e vive nas comunidades há mais de 40 anos. O agricultor Francisco Silva, 47, mora no lago do Teste desde que nasceu. Ele é um dos moradores mais antigos do local. A pequena Pietra Siva de apenas um mês de vida é a moradora mais nova da comunidade. A mãe dela, a agricultora Jussara da Silva, 21, queria criar a filha no local, mas diz concordar com o avanço que a Cidade Universitária proporcionará ao município.

Prefeitura vê  desenvolvimento
A Prefeitura de Iranduba quer aproveitar a construção da Cidade Universitária  para implantar projetos que gerem crescimento na  cidade. A ideia é ampliar o desenvolvimento da economia, turismo e do escoamento da produção agrícola, esperado com a Cidade Universitária, para todo o município.

Segundo o prefeito Nonato Lopes, a obra gerou a oportunidade para que projetos antigos do município possam ser concretizados.

Está prevista, por exemplo, a construção de hotéis no estilo resort no entorno da praia do Açutuba, balneário que tem atraído muitos turistas desde a inauguração da ponte Rio Negro, em outubro de 2010. Conforme Nonato, a Cidade Universitária transformará Iranbuda num polo de referência em educação da Região Norte e do País. Ele ressalta que o município precisa aproveitar o ritmo de obras Governo do Estado para realizar projetos próprios que em outro momento não seriam possíveis.

“A realidade já está mudando e começou com a ponte Rio Negro. Iranduba vai crescer ainda mais com a Cidade Universitária”, analisou.

Os resorts e hotéis de selva são os principais projetos que devem ser realizados, de acordo com Lopes. Alguns serão construídos  na orla do rio Negro. “Tudo isso será um atrativo turístico que servirá para movimentar a economia e gerar emprego e renda para a população. Em 2014, teremos como oferecer excelentes condições de hotéis e restaurantes aos visitantes que virão à cidade por conta da Copa do mundo 2014”, diz.

No entanto, o avanço esperado por Lopes depende da duplicação dos 78 quilômetros da rodovia AM-070, a Manoel Urbano, projeto que está em fase deplanejamento  na Secretaria de Estado de Infraestrutura.