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Cotidiano
SUOR E DRAMA

Cadeirante critica e mostra exemplos de 'imobilidade' e desrespeito total com PCDs

A busca por conscientização é constante na vida de Sebastião, que ficou paralítico aos 14 anos após uma bala perdida atingir sua quinta vértebra 20/09/2017 às 20:42 - Atualizado em 21/09/2017 às 09:25
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Via da feira da Compensa tem faixa de pedestre inviável para PCDs como o cadeirante Sebastião Marques Neto / Fotos: Márcio Silva
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Todos os dias quando acorda e sai de sua casa, na Compensa, Zona Oeste, o funcionário público Sebastião Marques Neto, 38, enfrenta uma dura realidade comum a todo cadeirante: a dificuldade da mobilidade urbana para as pessoas com deficiência (PCDs). Some-se a isso o preconceito de empregadores e, entre outros fatores, a insensibilidade de pessoas que ocupam espaços destinados a eles.

Iguais a ele, em todo o Amazonas, segundo dados do Censo do IBGE 2010, existem 790.647 pessoas (26% da população), sendo 461.414 em Manaus, mais de 45 milhões no Brasil e aproximadamente 1 bilhão (conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMS)).

Hoje é o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, data instituída em 14 de julho de 2005, pela Lei nº 11.133. Ela foi criada com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre a importância do desenvolvimento de meios de inclusão das pessoas com deficiência.

A busca por conscientização é constante na vida de Sebastião, que ficou paralítico aos 14 anos após uma bala perdida atingir sua quinta vértebra e fazê-lo perder o movimento das pernas. A CRÍTICA acompanhou-o em alguns locais onde ele esbarra na falta de estrutura para se locomover.

Dois deles são a Feira Modelo e o Minishopping da Compensa, empreendimentos populares que ele frequenta e sempre tem dores de cabeça. Ao atravessar pela faixa de pedestre, o trecho acaba em calçada, contrariando o bom senso onde deveria haver uma rampa. A feita tem rampas, mas nem elas, tampouco uma perigosa escadaria, possuem barras laterais de segurança. Na entrada do minishopping, motocicletas barram o que era pra ser uma rampa, mas que no lugar tem uma calçada alta. 

“O bairro da Compensa é uma área comercial mas inacessível, e mesmo uma pessoa como eu que domina a cadeira de rodas tem dificuldade no acesso”, reclamou ele.   
Outra crítica vai para trechos da avenida Eduardo Ribeiro, Centro da cidade, onde ele reclamou da inexistência de rampas de acesso. Num desses locais, a via tem rampa, mas cerca de 50 metros depois ela acaba na calçada, forçando o cadeirante a voltar pra rua. “Falo em nome de uma massa de pessoas que estão todos os dias nas ruas, que estudam, trabalham e vivem essa realidade. Não se pensou, em nenhum momento, aqui na Eduardo Ribeiro, que há uma esquina que não tem rampa e trechos inacessíveis, além de bolas de ferro na rua”, destaca o cadeirante.

Em contrapartida, Sebastião Neto elogiou os acessos existentes no Largo São Sebastião, onde os acessos são feitos por rampas. “O lugar é amplo, acessível, que quando existem obstáculos são mínimos, como calçadas baixas. Tudo isso facilita, e muito, a vida de quem usa cadeira de rodas”, comentou Neto.

A falta de oportunidades é outras das dificuldades que só quem é PCD sabe, comentou o funcionário público. “Que neste dia se tenha visão e se passe a olhar com um pouco mais de carinho para nós”.

Veículo adaptado

As coisas seriam ainda mais difíceis para Sebastião se ele não tivesse um veículo, modelo Ford Fiesta, adaptado mecanicamente para as suas necessidades físicas. A adaptação - que inclui modificações no freio, acelerador e embreagem - custou em torno de R$ 3.100 e facilita a locomoção dele há 3 anos.

No entanto, para mostrar mais uma vez que nem tudo são flores na vida de um PCD, antes de nos despedirmos do cadeirante ele constatou, no estacionamento localizado atrás da Feira da Compensa, que seu veículo havia ficado literalmente imobilizado entre dois outros automóveis impossibilitando ele entrar com a sua cadeira de rodas.
Mas, graças a intervenção de flanelinhas, que empurraram o veículo dele pra frente, Sebastião conseguiu finalmente sair do local. Mais um dia vencido, de uma vida locomovendo-se em cadeira de rodas e superando barreiras!

Blog

Ana Cláudia Martins, presidente da Federação Estadual das Entidades de e para a Pessoa com Deficiência do Amazonas, vice-presidente da Adefa e militante PCD

“Integro a diretoria da Organização Nacional de Entidades de Pessoas com Deficiência Física do Brasil (Onedef). Sou militante da causa PCD desde 1994, quando me associei à Adefa. Fui a primeira presidente do Conselho Estadual das Pessoas com Deficiência e sou presidente do Conselho Estadual de Assistência Social no Amazonas. Os principais avanços foram a Lei Brasileira de Inclusão  instituida em 2015 e que passou a vigorar em 2016. Estamos trabalhando pela regularização da lei, como a inclusão de mediadores para PCD nas escolas. O mercado de trabalho para PCDs precisa melhorar, pois o preconceito do empregador é barreira. Outro entrave é o transporte coletivo, onde poucos são adaptados para cadeirantes.

Procon, Seped e TIM lançam cartilha para o consumidor em braile, libras e em áudio

O Procon Amazonas, em parceria com a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Seped) e o Conselho de Usuários da TIM Região Norte, realizam nesta quinta-feira, dia 21, a partir de 14h, o lançamento das versões acessíveis da Cartilha de informações para o consumidor de telecomunicações em braile, libras e em áudio.

O evento será realizado no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), na avenida, André Araújo, 1422, Aleixo, Zona Centro-Sul. Ambas as novidades serão disponibilizadas na página do conselho de usuários dá TIM. O lançamento será durante a reunião ordinária de usuários do Conselho Consultivo da empresa de telefonia TIM. A versão acessível traz informações que esclarecem dúvidas acerca de telecomunicações aos PCDs.

Para a secretária da Seped, Vânia Suely, “a iniciativa em disponibilizar estes conteúdos em versões acessíveis é muito louvável e representa uma conquista para as Pessoas com Deficiência do Estado do Amazonas”. A secretária-executiva do Procon AM, Rosely Fernandes, destaca que a versão acessível do Código de Defesa do Consumidor também é um “marco na inclusão dos PCDs que podem contar com este recurso para também conhecerem e garantirem seus direitos como consumidores”.

Frase

“A visão que nos move é a de um mundo de inclusão, no qual todos sejamos capazes de viver uma vida de saúde, conforto e dignidade.”

Margareth Chan, ex-diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS)