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Cotidiano
SUPERAÇÃO

Deficientes visuais provam não haver barreiras para alcançar êxito profissional

Além dos limites: conheça histórias de pessoas que conseguiram superar todas as dificuldades e chegar ao sucesso na profissão 19/03/2017 às 05:00
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Instrutor cego encontra realização pessoal e profissional dando aula de informática para outros deficientes visuais (Foto: Rebeca Mota)
Rebeca Mota Manaus (AM)

Aos oito anos de idade Junior Sebastian perdeu a visão após o cloro de piscina cair em seus olhos. Mas sua disposição de superar a doença nunca parou e hoje ele é professor de informática, atividade que lhe gera renda e lhe permite aprimorar outros sonhos.

“Eu estava carregando um pote de cloro de piscina que estava sem tampa, nisso eu tropecei e caiu nos meus olhos. Na agonia eu entrei na piscina e voltou ao normal, mas passando os anos às dificuldades apareceram e aos 12 anos eu fui ao médico e fiz um exame completo no qual identificou o problema sem volta, perda de 80% da minha visão. Logo eu pensei que minha vida tinha acabado”, revela.

No decorrer dos anos, Sebastian voltou a estudar e conheceu um amigo que dominava bastantes assuntos voltados a informática e tinha cegueira total. Daí despertou o desejo do jovem de se aperfeiçoar na área. 

“No início eu me paralisei, mas depois decidi, vou à luta, não vou me acomodar mais. Então estudei, busquei me aperfeiçoar, fiz cursos em São Paulo de Acessibilidade e Web, além dos cursos que eu já tinha antes de perder a visão”, destaca.

Hoje, Junior é professor de informática na Associação dos Deficientes Visuais do Amazonas (Advam) que começou como serviços gerais ajeitando computadores e os serviços de internet.

Gerente de biblioteca

Outro deficiente visual que tem ganhado espaço é o Gilson Mauro que gerencia a Biblioteca em Braille do Amazonas (BBAM), uma instituição voltada para o apoio e bem estar de pessoas com deficiência visual. A instituição oferece uma gama de serviços como livros em braille ou com software, filmes e espetáculos com audiodescrição e cursos de informática, música e violão.

O gerente Gilson Mauro é um exemplo de que a deficiência visual não precisa ser um limitador na vida de ninguém. Formado em Rádio e TV, Gilson Mauro conta que mesmo com a perda da visão, nunca deixou ser ativo na sociedade e, aos 50 anos, vem contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos deficientes visuais por meio das atividades promovidas na Biblioteca Braille do Amazonas, uma das únicas do Norte do País. 

“Quando cheguei à Biblioteca Braille eu não sabia o que era o braille e nem o que era uma biblioteca assim. E só sabia o que era uma única biblioteca que é da Fundação Dorina e aprendi sozinho o sistema, hoje, queremos produzir mais livros, levar a acessibilidade aos municípios do Amazonas para que as pessoas possam ler e escrever para ter acesso a cultura, educação e lazer”, destaca.

Netflix acessível

O Netflix, em 2015, implantou o projeto ‘Netflix acessível’ que ganha o sistema de audiodescrição dos filmes e seriados que é um canal de áudio com narração descritiva para deficientes visuais. Nela, basicamente, um narrador descreve tudo o que não é falado durante uma apresentação. Veja a seguir dois exemplos de vídeos com audiodescrição, como o filme Demolidor, por exemplo