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Cotidiano
CORRUPÇÃO NA SAÚDE

Maus Caminhos: políticos e servidores públicos recebiam propina, diz PF

Entre os alvos estão os ex-secretários da Saúde Wilson Alecrim e Pedro Elias, e da Casa Civil Raul Zaidan. Um avião foi apreendido e R$ 67 milhões foram bloqueados como ressarcimento ao Estado 13/12/2017 às 10:06 - Atualizado em 13/12/2017 às 10:34
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Foto: Jair Araújo
acritica.com

Agentes políticos e servidores públicos do Amazonas recebiam propina de integrantes da quadrilha da Maus Caminhos, acusada de desviar R$ 110 milhões da Saúde do Estado. É o que divulgou a Polícia Federal sobre a nova fase da operação Maus Caminhos, nomeada “Custo Político”, deflagrada na manhã desta quarta-feira (13), em Manaus. Entre os alvos da operação estão os ex-secretários da Saúde, Wilson Alecrim e Pedro Elias, e da Casa Civil, Raul Zaidan.

Além da PF, participam da operação o Ministério Público Federal e a Controladoria Geral da União (CGU). Conforme a PF, os integrantes da quadrilha da Maus Caminhos usavam recursos públicos desviados do Fundo Estadual de Saúde do Amazonas para pagar propinas a políticos e servidores com o propósito de obter facilidades dentro da administração pública estadual, tais como agilizar a liberação de pagamentos, obtenção de contratos públicos e o encobrimento dos ilícitos praticados.


Wilson Alecrim sendo conduzido pela PF (Foto: Jair Araújo)

Entre os alvos estão dois ex-secretários de Saúde, o ex-secretário de Administração e Gestão, o ex-chefe da Casa Civil, bem como dois ex-secretários executivos da Secretária de Saúde do Amazonas. A reportagem de A CRÍTICA apurou que tais envolvidos são Wilson Alecrim e Pedro Elias, ex-Susam, e Raul Zaidan, ex- Casa Civil. Alecrim comandou a Susam em dois períodos, de 2004 a 2008 e 2010 a 2015; Elias ficou na pasta de 2015 a janeiro deste ano, 2017. Zaidan comandou a Casa Civil do Estado por nove anos, de 2007 a 2016.

Avião e R$ 67 milhões

Ao todo, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva, nove mandados de prisão temporária, 27 conduções coercitivas, 27 mandados de busca e apreensão, 18 mandados de sequestro de bens móveis e imóveis, incluindo uma aeronave Cessna560 XLS. A Justiça Federal também determinou o bloqueio dos bens e valores dos investigados no montante de aproximadamente R$ 67 milhões visando o futuro ressarcimento do Estado.


PF no prédio onde mora Wilson Alecrim (Foto: Jair Araújo)

O objetivo da nova fase da Manaus Caminhos é investigar crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de capitais e organização criminosa praticados por membros da organização criminosa da Maus Caminhos, alvos da primeira fase da operação. A operação foi executada em Manaus e nas cidades de São Paulo (SP), Recife (PE) e Brasília (DF) por 135 policiais federais e seis servidores da CGU.

Maus Caminhos 1

A primeira fase da Maus Caminhos aconteceu em novembro de 2016, quando foram presos o médico e empresário Mouhamad Moustafa e outros envolvidos acusados de participarem de uma quadrilha que desviou R$ 110 milhões de recursos públicos através de contratos com a Susam e empresas terceirizadas.


Mouhamad Moustafa na Justiça Federal (Foto: Márcio Silva)

Os alvos da primeira fase, como o próprio Mouhamad, a advogada Priscila Marcolino e a enfermeira Jenifer Nayara Youchabel – ex-presidente do Instituto Novos Caminhos, entidade partícipe no esquema criminoso – já respondem judicialmente pelos crimes. No mês passado, novembro, eles prestaram depoimento na sede da Justiça Federal como réus da Maus Caminhos.

Em delação premiada, a enfermeira Jenifer Nayara afirmou à Justiça Federal que o empresário e médico Mouhamad Moustafa chegou a pagar um apartamento para o filho de outro ex-secretário da Susam, Pedro Elias, que assumiu a secretaria em julho de 2015, após Wilson Alecrim. Elias comandou a Susam até janeiro deste ano, 2017.

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