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Dança terapêutica ajuda na conexão entre mãe e bebê durante e após gestação

Criada em 2008 pela bailarina e especialista em bebês Tatiana Tardioli, a Dança Materna é um método já disponível em Manaus 22/10/2017 às 05:00 - Atualizado em 22/10/2017 às 16:06
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(Foto: Divulgação)
Tiago Melo Manaus (AM)

Encontrar o equilíbrio e a conexão entre corpo e mente é um desafio pelo qual muitos passam durante toda a vida. Mas somente a mulher vê esse desafio dobrado com a chegada da maternidade. O que antes era apenas um corpo e uma mente, agora passa a ser dois corpos e duas mentes que se correlacionam do momento da gestação em diante. De certa forma, a dança terapêutica para mães e gestantes surge para ajudá-las nessa tarefa.

Criada em 2008 pela bailarina e especialista em bebês Tatiana Tardioli, a Dança Materna é um método que já está disponível em Manaus desde 2015, através da professora licenciada e também mamãe ThatiGobeth, que ministra suas aulas na Yupi Casa de Brincar (Avenida Rio Mar, Vieiralves) e na Casa da Carol (Rua Tokio, Parque Dez).

“Já tinha meu segundo filho, o Danilo, de um ano, quando descobri a prática. Estava em busca de algo alternativo para minha carreira que fosse relacionado ao mundo materno e envolvesse minha paixão em dança. Vi na internet e entrei em contato com a Tatiana. Em 2014 me formei professora para dança de mães com bebês de colo. Em 2015 comecei a dar aula e, no ano passado, me formei professora de dança para mães gestantes”, comentou ThatiGobeth. Além das duas modalidades citadas acima, há ainda uma terceira específica para mães e bebês andantes.

Além do dois pra cá, dois pra lá

Com duração de cerca de uma hora e meia, as aulas vão muito além do simples ato de dançar. De acordo com Thati, as sessões são momentos de preparação física e emocional para a chegada do bebê. “É um tempo fora do tempo do relógio. De se autocuidar, de tirar um tempo somente para si e o bebê”, nas palavras dela.

Durante as aulas, as mães além de fazerem os alongamentos, relaxamentos e dançarem, elas também participam de mentalizações imaginando a presença do bebê a todo momento. “No caso de mães com crianças de colo, o uso do sling é essencial para essa conexão. Ele remete ao útero, mantendo o bebê bem próximo da mãe. Ao escutar as batidas do coração dela, ele se transporta de volta à vida intrauterina”, comentou a professora.

Mas é claro, para que tudo isso aconteça é preciso de um bocado de música, seja infantil ou até mesmo um forró e um pouco de MPB. “Nosso repertório musical é um dos nossos tesouros mais preciosos. A música é uma preocupação à parte das aulas. Temos todo o cuidado com o que vamos demonstrar para as mães em termos de letra e ritmo. A ideia é que além de terapêutica, a Dança Materna seja também uma oportunidade das crianças entrarem em contato com músicas de qualidade”, disse.

Benefícios para mente e corpo

Independentemente do tipo e parto que a mãe escolher, seja normal ou cesariano, a Dança Materna é uma maneira de viver a gravidez da melhor forma possível, afirma ThatiGobeth.Segundo ela, qualquer gestante pode participar das aulas. Caso a gestante já esteja fazendo alguma atividade física antes da gravidez, pode começar de imediato; caso contrário, o recomendado é que comece a partir de oito semanas.

Atividade de baixo impacto, a dança para gestantes possui nível de esforço leve e moderado. Ela é fundamental para a saúde da mãe e do bebê, além de ser prazerosa e provocar bem estar. Em termos físicos, a prática melhora a oxigenação, ajuda na circulação sanguínea, possibilita a assimilação das mudanças no corpo e auxilia na sustentação harmoniosa do ganho de peso.

“Mas mais importante que isso, a dança é um convite para tecer um enxoval que aos poucos vai sendo alimentado e nutrido por uma mulher em sintonia com o seu bebê e que estará preparada para o que der e vier no período pós-parto. Uma fase que sabemos ser bem delicada”, concluiu a professora. 

Quem dança seus males espanta

Vendo-se na delicada fase do pós-parto em sua primeira gestação, também conhecida como puerpério, a psicóloga Luciana Rocha de Sá, de 36 anos, encontrou na Dança Materna a saída para o que poderia vir a ser um possível quadro de depressão. Sozinha em casa com Maria Clara, a filha que na época estava com pouco mais de dois meses de idade, e com um corpo ainda em processo de adaptação, Luciana soube que a amiga Tati Gobeth estaria ministrando as aulas e não pensou duas vezes em fazer um teste.

“Já conhecia a Tati, soube que ela daria essas aulas e fui fazer uma aula experimental, acabei ficando por um ano e meio na turma com a minha filha. No início ela ficava no sling e no fim já dançava sozinha no chão”, contou a psicóloga. Sobre a experiência, Luciana é só elogios. Para ela, os benefícios da prática foram muito mais do que apenas físicos. “Além de me tirar de casa, a dança me colocou em contato com outras mães, melhorou minha interação com a minha filha. É ótimo porque a própria criança entra em contato com outras crianças e com a música”, afirmou a mãe.

Com exercícios variados e resultados gratificantes para mente e o corpo, a Dança Maternaé uma recomendação da Luciana para todas as mães, tanto as que estão grávidas, quanto as que já tiveram o bebê. Fã confessa do método, a psicóloga decidiu adiantar as aulas durante sua última gestação e começou a praticar com a Bianca, sua segunda filha, ainda dentro da barriga. O objetivo, de acordo com ela, era se conectar ainda mais com o bebê.

“Eu sentia que ainda não tinha me conectado o suficiente com a Bianca porque vivia na correria de cuidar da Maria Clara, que já tem três anos. Comecei já no finalzinho da gravidez e depois que a Bianca nasceu, continuei indo para as aulas com ela no colo. Aproveito e levo a Maria Clara, que agora faz balé no mesmo lugar”, concluiu Luciana.