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ARTES VISUAIS

Exposição artística exclusivamente feminina apresenta pinturas, fotografias e audiovisual

Intitulada "Oespaçotempoesia", a mostra exibe trabalhos de 24 artistas contemporâneas do Amazonas a partir desta quinta (9), na Galeria de Artes do ICBEU 08/11/2017 às 13:19 - Atualizado em 08/11/2017 às 14:06
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(Fotos: Jair Araújo)
Laynna Feitoza Manaus (AM)

Entre a fauna e a flora, a Mãe Natureza. Entre os lugares, a poesia do tempo. Entre a naturalidade do corpo, a liberdade. A natureza, a poesia e a liberdade são mulheres. Mulheres empoderadas que pintam e fotografam a fauna e a flora, a urbanidade e o corpo, utilizando-os como pilares da exposição “O espaçotempoesia”, a inaugurar dia 9 de novembro, às 19h, na Galeria de Artes Helena Gomes da Silva, no ICBEU. A mostra coletiva exibirá os trabalhos de 24 artistas mulheres da capital amazonense, entre fotografias e pinturas digitais, além de vídeo-artes.

De acordo com o diretor artístico da mostra coletiva, Sérgio Cardoso, a exposição reúne artistas em um patamar de consagração de carreira e outras artistas em emergência, que estão surgindo e lutando por seus lugares. “Entre as obras, temos núcleos de visualidade definidos; temos a Amazônia no olhar das fotografias; temos as urbanidades das estruturas das cidades; temos o intimismo corpóreo, com artistas preocupadas com as questão do corpo. Todas as obras são instalações, elas têm narrativas e significados”, diz Sérgio.

Algo em comum junto aos trabalhos das 24 mulheres, conforme Sérgio, são os tons amarelos. “E elas não combinaram nada. Acho que elas praticaram leituras do tempo. O tempo é luz. Luz é amarela. E é o calor das cores. Tem uma dose de espiritualismo. As cores amarela e laranja indicam uma busca da espiritualidade. E toda exposição é uma manifestação de espiritualidade. Todas as obras artísticas que estão aí são manifestações espirituais de quem busca, de quem acredita, de quem se faz portadora de uma outra gênese. E o poder da gênese não está em ninguém a não ser nas mulheres”, completa Cardoso.

Confira abaixo as prévias dos trabalhos de algumas expositoras:

Cíntia Louzada

Professora e artista visual

Ao todo, oito fotografias criam uma narrativa em que a própria artista se fotografou pintando o seu quarto de branco, em trajes íntimos. O tema da mostra chama-se "Decifra-me se quiseres". "É uma narrativa que mostra um poema sendo rompido para que tudo possa viver de maneira simples e tranquila, mostrando a maturidade de uma mulher", coloca ela, lembrando que o registro foi feito por acaso, sem planejamento, durante a própria atividade de pintura.

Monik Ventilari

Artista visual

O projeto "Linha, corpo e limite" conta com 16 autorretratos de seu próprio corpo. Partes específicas do corpo de Monik, como pés, ventre, braços e boca foram traçadas por um lápis preto, com o intuito de realçar a feminilidade. "É como se fossem coisas que criamos dentro do nosso próprio corpo, seja de acesso ou exclusão. Tem essa pegada do que você vê e do que não vê, e fala da descoberta do próprio corpo", declara ela.

Carina Navegante

Artista visual e professora de artes

Ao todo, seis pinturas digitais compõem a série "Dois lados". Trata-se de um desenho em aquarela que foi transformado no computador. "Quis apresentar um ser, uma pessoa e os dois lados que normalmente temos que viver durante a vida. Você vê o bem e o mal, a ilusão e desilusão, entre outras emoções", pondera ela. As imagens da obra se unem e criam outras formas do próprio ser, com a junção do seu reflexo na água. "Está voltado ao amadurecimento da mulher", diz Carina.

Khetllen Costa

Artista visual

A artista levará duas séries para a exposição: "Aglomerações", com quatro quadros, e "Som e Imagem", com seis. "Aglomerações são móbile-fotografias e foi feita a partir das estampas das minhas roupas. Tirei foto do computador e depois editei com filtros dos editores de foto de celular", pondera. Já "Som e Imagem" são desenhos com colagens digitais impressos em pratos. "Coloquei letras de músicas e a partir dessas músicas fiz as imagens. Foram os sons que me despertaram as imagens que eu desenhei", assegura.

Gisele Riker

Professora de artes

A mostra “Surfaces” possui seus fotografias manipuladas digitalmente. “São detalhes da natureza e eu dplico a imagem para criar outra”, coloca ela, que pôs entre os registros imagens de cachoeiras de Presidente Figueiredo e Chapada dos Veadeiros, igarapés e raízes de árvores. O trabalho remete a sensação de que o observador é a própria mãe-natureza. “Vejo beleza nos pequenos detalhes e fico caçando imagens como essas”, afirma.

Caroene Neves

Universitária e fotógrafa

A série de fotografias “Planetas dançando” foi clicada durante o espetáculo “Plutão já foi planeta”, do Balé Experimental do Amazonas, que mostra a imagem das bailarinas em preto e branco, bem como o foco em seus movimentos. “Tentei capturar a expressão de algumas bailarinas. A principal temática é corpo, expressão e movimento”, pondera.

Ana Paula Vieira

Universitária, fotógrafa e pintora

A série chamada “Nada” reúne seis fotografias da intimidade de uma mulher gordinha. ”Representa a mulher formosa, que é a mulher gordinha, cujo corpo é o mais desvalorizado na sociedade. Esse corpo representa a leveza, as curvas, e o ato de sentir o corpo por meio dessas curvas. A série mostra como devemos nos envolver com este corpo”, detalha.

Amanda Santos

Universitária e fotógrafa

A primeira série de fotografias chama-se “Um olhar luso-brasileiro”, e a segunda chama-se “Imergir”. “Na primeira série, retratou uma viagem que fiz a Portugal em 2016. Pelos lugares que eu passava, sentia como se tivesse uma pessoa sempre junto comigo”, pontua ela, que utilizou as técnicas de luz e sombra para fotografar ruas e vielas da cidade. Na série “Imergir”, que mostra um homem imergindo e submergindo na água, é retratada uma discussão entre os sentimentos de calmaria e turbulência. “Através das fotografias percebo equilíbrio, tranquilidade, movimento e tumulto”.

Dani Cruz

Fotógrafa

Por meio da série “Construção desconstruída”, a artista fotografou construções, bem como os detalhes da ação do tempo e da natureza, além da própria intervenção humana na arquitetura. “Ao todo, são oito fotografias. Registrei lugares da Holanda, República Tcheca, Portugal e Áustria. Tenho fotografado essas peças durante os últimos cinco anos, nas minhas viagens”, destaca.

Gisele Gomes

Fotógrafa

Centrada em aspectos da natureza e das pessoas que vivem nela, a artista criou a série de fotografias “Ritual”, que é um registro de rituais indígenas da tribo Dessana na aldeia e na praia do Tupé. “Fazemos caminhadas mensalmente por esses lugares, e aí tive a ideia de fotografar o que via”, pondera ela, que identifica-se  com a cultura indígena. “Tenho uma avó que mora em uma comunidade indígena de Autazes”, destaca.

Selma Maia

Fotógrafa Artística

Um ensaio fotográfico em uma das cachoeiras de Presidente Figueiredo mostra uma modelo envolta em um gigante véu amarelo dentro da água. A luz do sol e a sombra das árvores dão um efeito majestoso, ao mesmo tempo que evoca a pureza nas fotos. “A ideia inicial era de nu artístico, mas para a exposição escolhi fotos convencionais. A ideia era fazer com que a modelo interagisse com o natural e com a beleza do ambiente”, conta a artista, lembrando que usou rebatedor dourado para dar efeito nas fotos.

Stephanie Belém

Artista visual

A mostra “Divindades” é um trabalho de colagem digital em seis imagens. São seis selfies que foram manipuladas e transformadas em deusas e figuras mitológicas de várias culturas. “Nas obras falo um pouco sobre narcisismo, o que é exemplificado pelas selfies que a gente faz. As figuras se transformam e viram representações de deusas, divindades de outras culturas. Uma das imagens faz alusão a uma sereia; outra retrata uma deusa egípcia; já outra, a uma índia dessana”, pontua.

Eliude Santana

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A mostra fotográfica “Detalhes misteriosos” retrata a fala da comunicação com o corpo. Em tons fortes e leves referências ao pop art, as imagens mostram partes do corpo feminino como busto, ombro e cabelos em situações de lazer, como pegando sol, passeando de lancha ou tomando banho de piscina. “Fiz uma poesia para esse projeto, que se chama ‘De corpo e alma’. Acho que o corpo feminino é lindo e se expressa sem precisar falar”, assegura ela.

Eliane Mezari

Pintora

As obras da série "Portas de Mezzá", que medem 46 X 33cm, referem-se à poética das portas como passagens, limites e possibilidades. "E faz uma alusão às portas internas, questões que precisam ser fechadas para outras se abrirem", declara a artista. Para compor a série, Eliane pintou as telas e fotografou-as. "Ficam coloridas e modificadas", diz ela, que capturou as fotos das portas no Centro Histórico de Manaus.

Keila Serruya

Realizadora audiovisual

(Foto: Kerolayne Kemblim/Divulgação)

Na exposição, a artista exibirá o vídeo-arte chamado MANAUX, lançado em 2016 em comemoração ao aniversário da cidade. “Fala da cidade que não se reconhece como floresta e nem como concreto, e que na verdade é os dois. O projeto instiga um pouco a relação de identidade, uma das coisas que mais venho pensando que a colonização arrancou, de alguma forma”, afirma Keila.

Serviço

O quê: Exposição “Oespaçotempoesia”
Onde: Galeria de Artes Helena Gomes da Silva, no ICBEU (Av. Joaquim Nabuco, 1286, Centro)
Quando: Dia 9 de novembro, às 19h
Infos: (92) 3198-7100/7112

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