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Manaus
CICLO DAS ÁGUAS

Nível do rio Negro em Manaus sobe 5 cm por dia e moradores se preparam para cheia

A velocidade da subida das águas preocupa moradores que vivem às margens do rio. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), o crescimento é comum para este período do ano 22/01/2018 às 08:19
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Waldir, que vive nas margens da foz do Igarapé do Educandos, não tem alternativa de moradia, caso a residência dele inunde (Foto: Gilson Mello)
Silane Souza Manaus (AM)

O nível do rio Negro em Manaus subiu em média cinco centímetros por dia na última semana, velocidade comum nesse período do ano, de acordo com o Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Para os moradores de áreas passíveis de alagação na cidade, o momento é de expectativa e preocupação quanto às consequências que a subida das águas podem provocar mais a frente.

O pintor Waldir dos Santos Lima, 73, que vive às margens do igarapé do Educandos, no bairro de mesmo nome, na Zona Sul de Manaus, teme que precise sair de sua residência. “Antes tinha a casa do meu pai para onde podia ir, mas agora não tem mais. Vai ficar complicado ainda mais porque nas últimas três grandes enchentes que tivemos, apenas em uma recebi auxílio da prefeitura”, contou.

Waldir tem as marcas dessas enchentes, que ocorreram em 2009, 2012 e 2015, no pé da mesa de jantar. “Nunca tirei essa mesa daqui e as marcas mostram aonde a água chegou”, afirmou. Para o pintor, a cheia traz diversos transtornos. “É ruim para a gente se deslocar, debaixo e ao redor das casas fica cheio de capim e lixo, fora que é muito ruim fazer mudança”, disse.

A autônoma Maria Suely, 42, moradora da mesma região, diz que enquanto pode a família fica em casa, faz maromba – levanta o assoalho com madeira, mesmo sendo perigoso porque surgem muitos bichos entre o lixo e capim acumulados. “Ninguém tem para onde correr. O jeito é ficar na casa mesmo. Também temos muito gasto com madeira, mas não recebemos apoio”.

A Prefeitura de Manaus informou que a Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil do município deu início, na última quinta-feira (18), ao planejamento das ações integradas para a operação cheia 2018. E que o monitoramento nas áreas passíveis de alagação, bem como as demais atividades relacionadas à ação tiveram início a partir do mesmo dia.

Conforme  o relatório apresentado pela Defesa Civil durante a reunião, a próxima etapa do planejamento será as vistorias com os técnicos do órgão nos 15 bairros da cidade passíveis de alagação durante o fenômeno. São eles: Tarumã, Mauazinho, São Jorge, Educandos, Raiz, Betânia, Presidente Vargas, Colônia Antônio Aleixo, Aparecida, Centro, Santo Antônio, Cachoeirinha, Glória, Compensa e Puraquequara.

 “Estamos chamando as outras secretarias municipais envolvidas na operação, junto com a Defesa Civil, para planejar as ações preventivas nas áreas afetadas pela cheia em Manaus, e assim somando forças para atuar de forma mais imediata e eficaz junto às comunidades”, informou o secretário municipal da Defesa Civil, Cláudio Belém.

Comparação com 2012

A última medição do Serviço de Hidrologia no Porto de Manaus, na sexta-feira, aponta que o nível do rio Negro atingiu 21,91 metros, estando a apenas oito centímetros abaixo do mesmo volume registrado no mesmo dia de 2012, ano da cheia recorde registrada na região.