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TRANSPORTE COLETIVO

População critica extinção de linhas de ônibus e mudança de itinerários em Manaus

Na última quinta-feira, moradores dos bairros São Francisco e Petrópolis foram surpreendidos e ficaram revoltados com a desativação da linha 601 12/09/2017 às 06:05 - Atualizado em 12/09/2017 às 12:37
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Linha 101 foi alterada para atender o percurso da extinta 601 (Foto: Winnetou Almeida)
Álik Menezes Manaus (AM)

Sem levar em consideração a opinião dos usuários do transporte coletivo de Manaus, a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) extingue linhas e muda itinerários, prejudicando moradores dos bairros São Raimundo, Petrópolis e São Francisco, nas zonas Oeste e Sul. 

Na última quinta-feira, moradores dos bairros São Francisco e Petrópolis foram surpreendidos e ficaram revoltados com a desativação da linha 601. A linha fazia rota para o Centro da cidade. Segundo moradores, não houve consulta nem comunicação prévia. “Eles sequer fizeram um estudo e, se fizeram, não divulgaram amplamente porque ninguém aqui no bairro ficou sabendo”, contou a dona de casa Cristiane Pereira, 36. 

A linha 101, que fazia rota do bairro São Raimundo para o Centro, foi alterada e passou atender os bairros de Petrópolis e São Francisco, passando pelo Terminal 2, localizado na Cachoeirinha. A mudança aumentou em cerca de 40 minutos o percurso.  “Agora vê se isso tem cabimento? O ônibus que atende nosso bairro (Petrópolis) vem de outro bairro, totalmente longe, e não atende a nossa necessidade”, disse a dona de casa Sandra da Silva Ito. 

Segundo os moradores, além do tempo de espera na parada de ônibus aumentar, a rota (no sentido São Raimundo) não passa mais pelo Centro da cidade, o que causa ainda mais revolta nos usuários do transporte. Anteriormente, o 601 fazia rota pelo Centro. “Esse 101 passa pelo Centro antes de vir para o Petrópolis, mas quando está indo para o São Raimundo passa apenas na Leonardo Malcher. Se você quiser ir para o Centro, precisa descer no terminal da Cachoeirinha e pegar outro. A gente perde muito tempo com isso”, reclamou. 

‘Ignorados’

Moradores do bairro São Raimundo, localizado na Zona Oeste da cidade, também alegam que sofrem com a mudança na rota da linha 101. Segundo a diarista Luciana Soares Magalhães, 41, os usuários que utilizam a linha diariamente não concordam com a mudança, mas a opinião deles não foi levada em consideração. “Essas mudanças deveriam ser feitas após uma consulta pública com quem realmente usa o transporte. É muito fácil fazer uma mudança de dentro de uma sala com ar-condicionado, quero ver é vir aqui na rua e andar de ônibus. Eles não sabem como essa mudança prejudicou a população”. 

A universitária Camila dos Santos Laveiro, 28, também criticou a mudança na linha e afirmou que um grupo de moradores do bairro São Raimundofez até um abaixo assinado pedindo que a rota volte ao “normal”. “Temos que nos impor. Esses órgãos públicos têm que parar de achar que são os donos de tudo”, criticou. 

Mudança em linha do Japiim

No dia 7 de setembro, a linha 614, que antes saia do bairro Japiim em direção ao Centro, também foi desativada.  No lugar, a linha 110 (Santo Antônio/Centro) foi estendida para atender o antigo itinerário da linha 614, a partir do Terminal 2, localizado na Cachoeirinha, em direção ao Japiim. 

O 110 agora passa pela avenida Brasil, na Compensa, São Raimundo, Aparecida, Centro, Cachoeirinha e Japiim. “Virou um interbairros. Passa por várias ruas do Japiim e quase não pega ninguém. Essas mudanças são feitas contrariando a necessidade do usuário, que é o cliente”, disse o auxiliar de escritório Ismael Dantas, 33. 

Segundo os moradores,  o tempo de espera aumentou e os usuários também não foram consultados sobre a alteração na rota e a extinção da linha 614.

A cargo da SMTU

Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Manaus (Sinetram) informou que a mudança de itinerário e desativação de linhas  é de responsabilidade exclusiva da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) e que o sindicato patronal não teve qualquer influência sobre as alterações.

Sem respostas

A CRÍTICA entrou em contato com a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) para questionar os motivos das mudanças, se houveram estudos ou consulta à população, mas até o fechamento da edição não obteve respostas.