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A Crítica
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Escritor defende a revitalização fluvial como presente para Manaus

Comprometidos pela poluição e pelas contingências do seu destino, muitos dos rios deixaram de ser navegáveis.

Publicado em 24/10/2020 às 14h01 · Atualizado em 09/03/2022 às 19h44
Escritor defende a revitalização fluvial como presente para Manaus
Foto: Antônio Lima / Acervo AC

Banhada por mais de 150 rios, Manaus é uma cidade rica em seu sistema fluvial, que, infelizmente, é mal aproveitado. Comprometidos pela poluição e pelas contingências do seu destino, muitos dos rios deixaram de ser navegáveis. Daí que o escritor Elson Farias surge com o presente ideal para a capital amazonense: um projeto de despoluição dos rios que banham a capital.

O autor observa que esses rios de Manaus nascem no meio da floresta ou em cabeceiras situadas na área urbana, visto a cidade ter continuado a crescer para dentro da floresta, e vão fluindo até desembocar nos rios maiores, o Negro e o Tarumã.

“Chamamos esses cursos d’água de igarapés, mas, em verdade eles são rios mesmo. Os igarapés são mais estreitos e geralmente fazem a ligação de um lago aos cursos de água, por isso chamados caminhos de canoa. No pequeno vocabulário intitulado Nheengatu Rupi, o etnólogo Dom Frederico Costa registra as duas palavras que lhe compõem o nome: igara é canoa e pé é caminho”, explica Elson Farias.

Caminhos d’água

No fundo, o nome não importa. Rios ou igarapés, conforme Farias, a verdade é que esses cursos d’água, que enchem e secam de acordo com o regime das águas na Amazônia (de seis em seis meses), há muito tempo deixaram de ser caminhos.

“Ficam navegáveis nos tempos de cheia e fechados durante a seca. O engenheiro Nelson Neto alimentava a ideia de manter a conservação dos rios de Manaus sempre navegáveis, por meio de um processo de eclusas. Eles funcionariam como forma de transporte, de lazer, passeios turísticos em barcos especializados, ou como vias de transporte urbano, também realizado por meio de embarcações adaptadas a esses serviços, como se fossem bondes ou ônibus flutuantes. Os táxis funcionariam em lanchas menores”, disse o escritor.

Exemplo estrangeiro

A tarefa de despoluir todos os rios que banham Manaus parece impossível. Com certeza não será uma missão fácil, isso não se pode negar, contudo, Elson cita um famoso exemplo de revitalização fluvial: o rio Tâmisa, em Londres, que já foi considerado, no século 19, o rio do fedor.

“O parlamento inglês que fica às suas margens, em determinado momento teve de suspender as suas sessões por não suportarem os parlamentares o mau cheiro do rio. Eram águas mortas e podres, sem chance de vida animal. A partir de uma decisão definitiva e um plano permanente, o rio foi sendo despoluído, numa obra que atinge hoje 120 anos, eliminando o cheiro mal e fazendo suas águas abrigarem 121 espécies de peixes, num sinal de rio bom”, conta o escritor.

Felizmente, os rios de Manaus ainda não chegaram a esse ponto e apresentam, mesmo nas áreas urbanas, resquícios da vida animal, como jacarés, garças e socós pescando nas margens. “Aqui a natureza é forte, mas necessita da ajuda do homem. Pesquisas realizadas no Inpa comprovam que um aguapé chamado mureru é o melhor elemento de despoluição das águas. O mureru prolifera nos rios de Manaus e ajuda, sem dúvida, a livrá-los da poluição crônica. Mas é preciso ajudar a natureza. Os rios de Manaus ainda não morreram, contudo precisam das nossas mãos para ficarem mais dignos da notoriedade conquistada pela paisagem amazônica”, concluiu Farias.

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