A ‘Galeria de Vidro’: Espaço cultural segue contexto orgânico
Localizada no Município de Novo Airão (a 115 quilômetros de Manaus), ela está posicionada estrategicamente de frente para o suntuoso rio Negro, e abriga o produto de artistas amazônicos e até de outros países
De estrutura singular e arquitetura ímpar, a Galeria de Artes Jirau é o que podemos chamar de “obra prima” em meio à floresta amazônica. Localizada no Município de Novo Airão (a 115 quilômetros de Manaus), ela está posicionada estrategicamente de frente para o suntuoso rio Negro, e abriga o produto de artistas amazônicos e até de outros países, ávidos por exibir o fruto de sua imaginação. O mais interessante e que impacta de primeira vista a quem a visita é que, não por acaso, o local é conhecido como “Galeria de Vidro” justamente por ter uma estrutura frontal e lateral que utiliza vidros transparentes, dando uma incrível sensação de bem-estar em contraste com as obras expostas.
O local foi criado como anexo do restaurante Flor do Luar, na mesma área, com a perspectiva de fazer um trabalho de promoção de alguns artistas ou comunidades que não tinham como mostrar seus trabalhos, informa o empresário e engenheiro Ruy Tony, fundador do espaço cultural.
O emprendimento faz parte de um contexto maior junto à Expedição Katerre, empresa de ecoturismo e que tem as comunidades de Novo Airão como foco. “A expedição KTR tem alguns sócios, mas eu criei a galeria de forma independente, atuando em parceria com a empresa”, diz ele, que trabalha com construção civil.
Quanto à ideia para a concepção arquitetônica da galeria, o empreendedor explica que o conceito do espaço segue uma proposta conhecida como “orgânica”, a partir da proposta do Lodge Mirante do Gavião, construído por ele também em Novo Airão. “Fizemos o Mirante do Gavião e achei que seria melhor expor as obras em uma galeria específica do que dentro do hotel.
E como tínhamos o anexo do restaurante decidimos criar a galera. A arquitetura deriva um pouco do que trabalhamos no Mirante. Nao é exatamente o mesmo estilo de construção, mas é uma arquitetura que a gente chama de orgânica, um pouco mais conectada com o entorno, com o visual. A parte do vidro é justamente para possibilitar quem está dentro poder fazer essa conexão com o rio e o Parque Nacional de Anavilhanas. Ou seja: quem está dentro tem que ver o mais bonito, que é a arte local com o rio e Anavilhanas”, explica Ruy Tony.
União de residentes
Um exemplo da união de diversas manifestações artísticas da “Galeria de Vidro” é o casal de artistas Buy Chaves e Helen Rossy. Residentes do local, ele é pintor nascido em Santa Catarina (inclusive com quadros no famoso Balneário Camboriú) e ela natural de Parintins (a 325 quilômetros de Manaus), a Ilha Tupinambarana dos bois Garantido e Caprichoso.
O local também abriga obras de artesanato de artistas do rio Jauaperi e até de estrangeiros como da Itália, por exemplo.
Blog – Buy Chaves – Pintor
“Esse espaço é muito importante para artistas como nós. Moro há 40 anos na Amazônia e não retrata apenas a coisa amazônica da floresta, mas também urbano pitoresco da cidade de Manaus”, comenta o artista, frisando que nem ele mesmo sabe o conceito da sua arte. Em uma das suas obras, Buy retratou tucanos em meio a veículos. Uma das suas peculiaridades é que ele sempre assina as suas obras com datas no futuro a partir de 2013. “É uma fixação doida que eu tenho pelo futuro. Quero que os pesquisadores ‘pirem a batatinha” quando virem isso daqui a alguns anos”, conta ele.
Serviço
O que é: Galeria de Artes Jirau
Proprietário: Ruy Tony
Artistas residentes: Pintor Buy Chaves e artista plástica Ellen Rossy
Onde: No Município de Novo Airão, a 115 quilômetros de Manaus, por via terrestre. Na cidade, embarcações levam até a galeria.