Morte de Julieta desafia a humanidade
Julieta distribua sua arte e seu amor pela palhaçaria pelo Brasil e, nessa aventura de levar a arte por meio da bicicleta, chegou ao município de Presidente Figueiredo como um dos roteiros da partilha, e ali foi brutalmente morta
Os coletivos de movimentos populares, os trabalhadores e os defensores das artes e da cultura estão em ação para impedir que o assassinato de Julieta Hernández Martinez, 38, artista venezuelana que há oito morava no Brasil não seja ignorado ou minimizado.
Julieta distribua sua arte e seu amor pela palhaçaria pelo Brasil e, nessa aventura de levar a arte por meio da bicicleta, chegou ao município de Presidente Figueiredo como um dos roteiros da partilha, e ali foi brutalmente morta.
A morte de Julieta põe a sociedade local, nacional e mundial diante do pior da condição humana e pede providências difíceis: enfrentar um tipo de comportamento que costuma banalizar a vida e aplaudir a violência e até premiá-la. Julieta é uma das tantas vidas ceifadas no Brasil e, em particular na Amazônia, carregando uma pergunta, por que?
É esse porque que exige ser colocado em evidência máxima para a sociedade e às instituições a fim de ser exposto, discutido e compreendido em profundidade para ser enfrentado com a responsabilidade e a seriedade que merece ter. A sociedade mergulhada em crise ética aguda está diante de um dos seus mais graves dilemas e se não entender o que está acontecendo e por que está acontecendo mais Julietas irão ocupar o noticiário como vítimas fatais dessa versão de tragédia da humanidade.
Todos os humanos se tornam menos humanos quando diante de fatos como esse. A tristeza e a dor de muitos pela morte de Julieta abre espaço para resgatar a humanização que está enterrada e se tornou irrelevante diante de outros elementos supervalorizados por uma sociedade cada vez mais caracterizada pelo consumo extremado que subjuga a maioria das pessoas e aniquila a cidadania.
A vida enquanto valor supremo está, no tempo contemporâneo, cotada por valores mercadológicos e, como mercadoria, alguns irão todos os dias decidir quem deve morrer e como. Uns pelos indicadores cotados, como os donos do mundo, outros pela disposição de matar e com perversidade para atender seus desejos e impulsos. Prestar atenção no que representa a banalização da vida em cada um de nós, como agimos diante das situações é um aprendizado. Quantos de fato querem aprender e reagir a esse tipo de selvageria humana?