Grupo de mulheres cria rede de apoio para vencer o câncer de mama
Neste dia 1º de outubro a atenção estará voltada para o mês símbolo da luta e conscientização ao câncer de mama
“Os seus problemas você deve esquecer, isso é viver… Hakuna Matata”. A música entoada no filme Rei Leão, grande sucesso de bilheteria, resume bem um aprendizado valioso que é viver o processo, não importa a dificuldade. Esta filosofia trazida pelo personagem Timão estimula um grupo com mais de 90 mulheres a superar, unidas, o que talvez seja um dos diagnósticos mais dolorosos na vida de uma mulher: o câncer de mama.
No próximo dia 1º de outubro a atenção estará voltada para o mês símbolo da luta e conscientização ao câncer de mama, doença que mais acomete mulheres em todo o mundo, conhecido como Outubro Rosa. Números do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que, em 2021, o Brasil registrou mais de 66 mil novos casos da doença, o equivalente ao risco de 61,61 casos a cada 100 mil mulheres.
União feminina
Mesmo diante da doença e dos impactos físicos e psicológicos oriundos dela, o grupo de mulheres “Manas Hakuna Matata” encontrou na união feminina o combustível para tornar o período de tratamento mais leve. Atualmente o grupo conta com 92 mulheres da capital, interior e de outros estados do Brasil. Todas estão em fase tratamento no sistema particular e público do Amazonas.
“O grupo foi criado nos encontros casuais das pacientes oncológicas na recepção das clínicas em Manaus, durante o intervalo dos exames e consultas. Tem médicas, nutricionistas, fisioterapeutas, donas de casa, aposentadas, boleira, servidora pública, professoras e advogada”, explicou uma das administradoras do grupo, Yedda Brito, de 38 anos.
Yedda é médica, mãe de dois filhos, e assim como todas as integrantes do Manas Hakuna Matata, ou melhor dizendo, as “oncomanas”, recebeu o diagnóstico do câncer de forma negativa, rapidamente associando a doença a um processo de dor e sofrimento.
“No início foi o momento mais difícil, porque pensava em sentença de morte e mutilação. Hoje com a evolução da medicina, percebo que isso é um pensamento antigo. No meu tratamento já fiz quimioterapia, duas cirurgias, radioterapia e hormonioterapia. Hoje estou na fase de acompanhamento oncológico a cada três meses”, comemorou Yedda.
Troca de experiências
Pelas redes sociais e nos encontros presenciais, as “oncomanas” trocam experiências entre si de forma acolhedora, de modo que somente quem vive a doença consegue carregar tal sensibilidade. Atualizações das fases de tratamento, os efeitos dos quimioterápicos, dicas de profissionais, todas as informações inerentes a uma rede de apoio ajudam o grupo a vencer o obstáculo.
Servidora aposentada, Gizélia Almeida, de 45 anos, recebeu o diagnóstico do câncer de mama em 2021. O nódulo era monitorado desde 2020, a princípio um cisto benigno observado pelos médicos, no entanto, depois de meses ela detectou por meio do autoexame um certo crescimento do inchaço no seio.
Nesse período Gizélia ainda lidou com a morte de duas tias por câncer. Segundo ela, a força espiritual para enfrentar a doença veio através da rede de apoio do grupo. Ela está em remissão do câncer e realiza exames a cada três meses.
“Apesar da demora no diagnóstico e de ser um dos piores tipos de câncer de mama, o tratamento passou mais rápido do que imaginei, graças ao fortalecimento espiritual que busquei, ao apoio da família, dos amigos, ao grupo de apoio das ‘oncomanas’ e ao cuidado multidisciplinar”.
Aceitação
A fisioterapeuta Délia Cabral, de 46 anos, leu que teria apenas cinco anos de vida depois de ouvir que estava com um câncer de mama triplo negativo, o tumor mais agressivo de todos. Como fisioterapeuta, nenhum atendimento com pacientes acometidos pelo câncer se comparava a ter a doença. Mas, a capacidade de autoaceitação desenvolvida pelo grupo fez com que Délia enxergasse a vida de outra forma.
“Nesse grupo fiz grandes amizades. Lá pude falar sobre a minha história com as pessoas que me entendiam. Não que as outras pessoas não me entendessem, mas elas, o grupo, compartilhava das mesmas dores que eu estava vivendo”, contou a fisioterapeuta, reforçando a importância de falar sobre o assunto.
“Essa troca de experiência é muito importante pra gente. Nós estamos frágeis e nesse momento precisamos e muito falar sobre tudo isso. O grupo de apoio nos torna mais fortes para que juntos possamos enfrentar essa jornada”.