Votar ou omitir-se?
No Amazonas, o sentimento de que, independentemente de quem seja eleito, nada mudará de fato, foi grande no primeiro turno. Quase 470 mil eleitores, 19% do total de pessoas aptas a votar no Estado, simplesmente abriram mão do exercício desse direito. Outros 188 mil foram às urnas no dia 7 de outubro, mas decidiram não votar em ninguém: votaram em branco ou anularam o voto. Isso também foi um recado bem claro aos candidatos. Sobretudo no interior, revela-se uma enorme descrença na política, no poder público e na possibilidade de melhorias em aspectos práticos da vida das pessoas.
Essas pessoas guardam a certeza que, independentemente de quem seja eleito, tanto para governador quanto para presidente, suas dificuldades continuarão as mesmas de sempre. São eleitores que poderiam, com seu voto, mudar totalmente o resultado do primeiro turno, que terminou praticamente empatado, com vantagem inferior a um ponto percentual para um dos candidatos ao governo. Entre os desafios dos eleitos está mostrar exatamente o contrário, que vale a pena votar.
Neste domingo temos uma nova oportunidade para escolher os gestores comandarão o Estado e o País pelos próximos quatro anos. Omitir-se é uma opção, mas significa deixar para outros uma decisão que, invariavelmente, afetará a vida de todos. Cientes do peso do voto dos insatisfeitos, os candidatos tentaram, nas últimas semanas, mostrar suas qualidades, propostas e projetos, mas a decisão final cabe a cada cidadão.
Diferente de eleições anteriores, o pleito deste ano está cheio de particularidades. Vimos novidades como o avanço avassalador das fake news, distribuídas aos montes em grupos de whatsapp com o objetivo de confundir o eleitor com mentiras. Vimos também velhos métodos em prática, como o emporcalhamento de ruas com panfletos apócrifos. Estratégia equivocada que não funcionou no primeiro turno e certamente não funcionará agora. Vimos um País dividido, com escalada de violência entre apoiadores de um lado e de outro.
Cabe ao eleitor avaliar todo esse cenário e manifestar sua decisão nas urnas. Ao final deste domingo, a vontade do povo será conhecida, e o país terá dado mais um importante passo rumo à consolidação de sua jovem democracia.