Área verde habitada por sauins-de-coleira é desmatada no Parque Dez
De acordo com moradores das proximidades, a derrubada de árvores iniciou na última sexta-feira e continuou durante todo o sábado
Uma área verde está sendo desmatada no bairro Parque Dez de Novembro, na Zona Centro-Sul. De acordo com moradores das proximidades, a derrubada de árvores iniciou na última sexta-feira e continuou durante todo o sábado. No local, segundo eles, habitam sauins-de-coleira, espécie ameaçada de extinção.
A área fica localizada na rua Mozart Guarniere, atrás do conjunto Shangrilá, no Parque Dez de Novembro. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), afirmou que tem ciência da situação, que a área é particular e possui licenciamento ambiental para atuar no local.
Conforme a engenheira agrônoma Muriel Saragousi, a licença não poderia ter sido concedida devido a inclinação do terreno. “De acordo com o Código Florestal Brasileiro, quando um terreno tem 45º graus de inclinação não pode haver edificações. Então a licença não poderia ser concedida, além de que o local é um reduto de sauins de coleira, ameaçados de extinção”, comenta Muriel.
A CRÍTICA tentou contato também como o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), mas até o fechamento desta matéria não obteve retorno.
Sem irregularidade
Em nota, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) informou que não há irregularidades no referido processo de desmatamento para fins de construção de um empreendimento condominial multifamiliar, tendo em vista tratar-se de um terreno particular, registrado e licenciado.
Ainda de acordo com a Semmas, áreas vegetadas antes adormecidas são muitas vezes confundidas com espaços verdes públicos quando na verdade são propriedades particulares e passíveis de intervenções.
A nota explica ainda que o fragmento em questão é uma área secundária passível de intervenção e o trabalho relativo a fauna vem sendo devidamente acompanhado por uma equipe especializada, formada por biólogo e médico veterinário.
Segundo a Semmas, o empreendimento preservou, inclusive, um fragmento de vegetação para refúgio da fauna silvestre, como preceitua a legislação e destacou que uma equipe técnica foi encaminhada ao local por conta da denúncia e mas não constatou irregularidades no local.