Manaus dom, 18 out
A Crítica
Opinião

Os ventos natalinos

Publicado em 24/12/2018 às 11h07 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h52
Os ventos natalinos

Véspera de Natal. Para uma parcela da população, é tempo de compras e de passeios; para outra, tempo de dificuldades enormes e, por vezes, de desalento. As cidades exprimem os sinais dos modos de vida de suas populações e, na maioria delas, no Brasil e no mundo, esses sinais misturam esforços para ampliar a igualdade e o respeito e atitudes que reforçam a desigualdade, o desrespeito e a discriminação. Nesse confronto de percepções sobre o valor da vida é que, anualmente, o Natal se realiza.

A corrida ao comércio é agendada por um dos mais fortes movimentos publicitários e, em torno dela, são feitas as projeções de negócios, dos produtos mais comercializados, e a lista daqueles mais procurados pelos consumidores. A cadeia de negócios feitas a partir de eventos como o do Natal é enorme, oficial e informal. Milhares de pessoas conseguem uma ocupação nesse período e a chance de obter alguma renda financeira.

Na soma das coisas, o Natal toca no mais profundo da condição humana naquilo que a torna especifica quando comparada com outros seres vivos. A invenção do Natal proporciona refletir sobre essa condição e a tomada de decisão para manter e reforçar um modo de viver ou transformar esse modo superando situações de opressão e aprendendo a conviver com o ideal de liberdade, de permanente busca da qualidade de vida no sentido mais coletivo possível.

Humanos se descobrem infelizes e solitários ainda que donos de tantos bens. Pensar o Natal permite criar momento de pensar sobre a própria vida e como esta está sendo vivida, sempre com possibilidade de fazer mudança que é de ordem pessoal e do grau de entendimento sobre as condições de vida. Na cidade de Manaus, o Natal ocorre pouco tempo depois de um incêndio de grande proporção que deixou centenas de pessoas sem moradia, mobiliário, roupas. Serão a solidariedade e a criatividade que poderão fazer do Natal das famílias vítimas do incêndio, no Educandos, um de encontro, de afetos e do acolhimento, gestos que promovem cura, aproximam e geram novas possibilidades. A dimensão subjetiva desse acontecimento, representada em todo o mundo como a chance de nascer e renascer, não do outro, e sim de cada pessoa que passa a ser o veículo da boa nova. Do que necessita o mundo? De pessoas que, transformadas, se sintam responsáveis na construção de uma cultura de paz.