Organizações pedem justiça por morte de ribeirinhos e indígenas nos rios Abacaxis e Mari-Mari
Nesta quarta-feira (27), as organizações apresentaram um manifesto com o pedido de justiça pelo massacre, ocorrido em 2020 durante uma operação policial na região.
O indiciamento de todos os envolvidos na morte de indígenas e ribeirinhos nos rios Abacaxis e Mari-Mari, no Amazonas, é um dos clamores de entidades que lutam pelos povos originários na região. Nesta quarta-feira (27), as organizações apresentaram um manifesto com o pedido de justiça pelo massacre, ocorrido em 2020 durante uma operação policial na região.
“O coletivo, ao fazer essa publicação, deseja que a sociedade participe ativamente do andamento que está sendo dado e também que se perceba que existe na sociedade um movimento de acompanhamento da necessidade de se fazer justiça”, destacou o arcebispo de Manaus, cardeal dom Leonardo Steiner.
Além de justiça pelo crime, que completará este ano três anos, o cardeal clama que todos os responsáveis sejam julgados pelo crime, que deixou ao menos oito pessoas mortas. “As duas pessoas indiciadas não foram as únicas (envolvidos). Sabemos que foi um efetivo para a região. Quem matou mesmo? É preciso chegar a essa conclusão”, comentou dom Leonardo Steiner.
Segurança para a região
Para o coordenador do Fórum das Águas e integrante do Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (Sares), padre Sandoval Rocha, o momento é de chamar a atenção da sociedade para o caso: “O dom Leonardo citou o caso da irmã Dorothy e é exatamente o que a gente quer: que a sociedade internacional saiba dessa situação e de alguma forma pressione para que a justiça seja feita”.
Outro clamor das entidades é para que haja segurança em regiões mais distantes no Amazonas. “Essa carta é um pedido de repúdio pela violência e ao mesmo tempo um pedido para que todas as condições, como políticas de proteção, sejam garantidas para aqueles povos. O que a gente quer é que haja uma permanência de um Estado naquele local e o povo viva sem medo de violência”, finalizou o padre.
Representantes de entidades como do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Laboratório de Pesquisa Dabukuri, Frente Amazônica de Mobilização em Defesa dos Direitos Indígenas (FAMDDI) também participaram do manifesto.