Manaus ter, 20 out
A Crítica
Opinião

CMM tem muito a fazer

Publicado em 08/10/2020 às 12h38 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h00
CMM tem muito a fazer

No noticiário de quarta-feira (7), a mídia apresentou material referente a uma recorrência das sessões na Câmara Municipal de Manaus (CMM) destacando o baixo nível de alguns desses encontros. A postura da vereança, em geral, deixa a desejar e não é algo novo, gradativamente, vereadores têm deixado o ritual do cargo para exercitar outras condutas que estão completamente fora do estatuto da Casa.

Pode-se facilmente afirmar que a baixaria no âmbito do Poder Legislativo não é referência do Amazonas, nem do Brasil. De fato, em todo o mundo, do Ocidente ao Oriente, são fartas as cenas de confusões entre parlamentares, socos, pontapés, agressões verbais. Tentar recorrer ao “não somos os únicos” na desqualificação dessa função parece pouco e também desvio do foco. O disse-me-disse-não-disse agressivo da última sessão demonstra como vereadores em final de mandatos desperdiçam tempo precioso para tratar de assuntos outros enquanto a população de Manaus e a própria cidade pede olhar mais atento e atitudes mais firmes dos vereadores em defesa da cidade, da melhoria dos serviços públicos na cidade.

O exemplo típico de brigas de rua não precisa ser copiado pelos integrantes da CMM, podem e deveriam ser evitados na medida em que os representantes da população no legislativo municipal honrassem o compromisso assumido no ato de posse ao cargo. E que se tornassem vigilantes para que as sessões legislativas não sucumbissem a práticas vergonhosas que vão desde à falta de quórum aos confrontos físicos e verbais violentos. Vereadores de Manaus, nesse aspecto, poderiam ser o outro exemplo de conduta onde o recorrente se tornaria exceção.

Não é para esse tipo de espetáculo que vereadores ou qualquer outro parlamentar são eleitos e se tornam servidores públicos. No legislativo, o servidor tem papel importante para compor, com os demais poderes, a instância de administração pública cabe a este fiscalizar as ações do executivo, propor e zelar pelo bom uso dos bens públicos, defender políticas socialmente justas e o adequado uso da verba do contribuinte. Quando os espaços das sessões legislativas, de caráter aberto, são utilizados para apequenar o exercício parlamentar todos perdem e perdem muito. A população que é ignorada pelos legisladores mais preocupados a atacar e defender gestores, o Legislativo que passa a ser visto como espaço de negócios ilegais feitos por pessoas que não merecem respeito. O descrédito avança e fragiliza a instituição.