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A Crítica
Opinião

Educação requer seriedade

Ontem, o ministro da Educação, Camilo Santana, confirmou que o modelo vigente será "suspenso", embora tenha negado uma ainda possível revogação

Publicado em 05/04/2023 às 08h23
Educação requer seriedade
Foto: Agência Brasil

A polêmica instaurada em torno do novo Ensino Médio é mais um desgaste desnecessário para o governo federal, que se soma a tantos outros que vêm se acumulando desde o início do ano. Ontem, o ministro da Educação, Camilo Santana, confirmou que o modelo vigente será “suspenso”, embora tenha negado uma ainda possível revogação. O novo Ensino Médio foi criado no governo tampão de Michel Temer por um motivo extremamente relevante: o antigo modelo não estava funcionando.

O nível de aprendizado dos estudantes brasileiros ao final do Ensino Médio era gritantemente inferior ao de alunos de outros países com índice de desenvolvimento similar ao do Brasil. Na avaliação do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), o Brasil sempre levava uma pisa. Algo estava muito errado. O governo de Michel Temer concluiu que era preciso modernizar o Ensino Médio e conseguiu aprovar o modelo atualmente em vigor.

A reforma do Ensino Médio, implementada em 2017, trouxe mudanças significativas em relação à estrutura curricular e às opções de formação dos estudantes. Uma delas foi a flexibilização do currículo: a reforma permitiu que 60% do currículo do Ensino Médio fosse composto por disciplinas obrigatórias, enquanto os outros 40% poderiam ser definidos pelas escolas de acordo com as necessidades e interesses dos estudantes. Também houve a ampliação das opções de formação: os estudantes poderiam escolher entre cinco diferentes áreas de formação, que incluem linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e ensino técnico profissionalizante, entre outras novidades.

No entanto, a reforma ainda é bastante controversa e tem sido alvo de críticas de diversos setores da sociedade. Mas é algo ainda em implementação. Não se pode condenar como ineficaz algo que ainda está sendo experimentado. O que se deve fazer é um acompanhamento cuidadoso, para identificar falhas, propor soluções e aperfeiçoar o modelo. Mudar um política pública “porque sim” não é política pública, não atende ao interesse público, e deveria ser tipificado penalmente. Essa atitude precisa ser revista pelo governo federal para evitar danos graves às escolas que já se programaram para seguir o padrão aprovado, e, principalmente, aos próprios estudantes brasileiros.