Manaus dom, 25 out
A Crítica
Opinião

Prioridade máxima para a vacinação

Publicado em 21/05/2021 às 11h30 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h41
Prioridade máxima para a vacinação

É motivo de enorme preocupação a recente identificação da variante indiana do novo coronavírus em território nacional. Apesar de ainda não ser possível determinar o grau de transmissibilidade da nova versão e a gravidade da infecção resultante, estudos feitos no Reino Unido indicam sérios motivos para cautela, pois a nova cepa já é a dominante em algumas regiões. A notícia deve servir de alerta vermelho sobre a necessidade de acelerar a vacinação contra covid-19 em todo o País. Por aqui, o ritmo de vacinação segue muito lentamente devido a uma série de fatores, como a dependência de insumos chineses para produção da vacinas e pouco caso das autoridades federais em melhorar as relações com aquele país.

O governo brasileiro precisa buscar alternativas para garantir o abastecimento de vacinas junto ao mercado internacional, o que não é tarefa fácil, uma vez que a pandemia ainda perdura com maior ou menor intensidade em todo o mundo, tornando vacinas artigos muito disputados.

Uma alternativa viável é reduzir a dependência em relação aos insumos internacionais. Tanto a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) quanto o Instituto Butantan caminham nessa direção. Ontem, o Ministério da Saúde confirmou que o acordo que vai viabilizar a produção 100% nacional da vacina Oxford/AstraZeneca será assinado na próxima semana. Será um passo importantíssimo para viabilizar a aceleração do processo de imunização nacional. Em outra frente, o Instituto Butantan, em parceria com um laboratório dos Estados Unidos, já trabalha na produção de um imunizante brasileiro.

O risco de uma nova onda de covid-19 no Brasil é real e vem sendo objeto de alertas enfáticos por parte de especialistas há algum tempo. O advento da variante indiana e sua identificação no País tornam esse risco ainda mais premente e deve motivar muita cautela, inclusive no processo de afrouxamento das restrições sanitárias pelo País. O momento é de máxima atenção e imediata definição de estratégias bem articuladas em nível nacional para prevenir o agravamento da tragédia que já estamos enfrentando há mais de um ano. De lá para cá, o Brasil já deve ter aprendido algumas lições: a teoria da imunidade de rebanho não funciona na prática, remédios sem eficácia devem ser abandonados e a vacinação precisa ter prioridade máxima.