Quem liga para o preço da gasolina?
O brasileiro vive o nono aumento no preço da gasolina e se mantém, até agora, numa espécie de gesto solidário aos sucessivos reajustes. O que é no mínimo estranho é a ausência do debate público e da busca e solução interna para o problema, considerando o efeito dominó que o movimento de reajustar o preço dos combustíveis e do gás de cozinha tem na vida das famílias brasileiras.
Por parte do governo não é tomada nenhuma decisão coerente que possa representar de um lado, a preocupação efetiva com essa questão, e, de outro, a tomada de decisão para reduzir o impacto dos sucessivos reajustes. O que se constata é a manutenção do roteiro presidencial em campanha para as eleições de 2022 e de uma sedenta vontade de gerar, ampliar e manter conflitos que estão se tornando cada vez mais violentos, instigando segmentos da sociedade ao ataque às instituições.
A governabilidade é deixada de lado ou menosprezada como valor importante para que o clima de ingovernabilidade avance e ajude na sustentação de determinados interesses de grupos que demonstram, todos os dias, o interesse em fazer do Brasil uma região de confrontos armados e de imposição de outro modelo político afeito ao neoconservadorismo e ao autoritário cívico-militar.
Nesse espaço, o impacto do preço da gasolina e do gás de cozinha na vida do cidadão não é mensurado e seque abordado pelo poder Executivo e, no Legislativo, o assunto ainda não se constituiu parte da agenda mais coletiva dos legisladores brasileiros, embora o alto preço dos dois produtos atinjam diretamente parcela significativa de suas bases eleitorais. No caso da capital, Manaus, e dos demais municípios do Amazonas, a questão se coloca como parte dos itens de primeira necessidade e, com os preços atuais, torna-se desestabilizador.
São nove reajustes de preços em oito meses deste ano. As mesmas explicações e nenhuma medida que socorra os milhares de brasileiros atingidos pelo ato que ajuda na asfixia da renda família já profundamente debilitada pelos descaminhos da economia nacional, pela pandemia da Covid-19 e pelo imobilismo governamental. Os números divulgados pelo próprio governo sobre a alta do desemprego, da informalidade, do aumento de pessoas atingidas pela fome não recebem desse governo atenção devida.