Nordestinas que cruzaram o país
Histórias de Akhemi e Júlia se encontram no 3B da Amazônia
O futebol costuma ser feito de caminhos que se cruzam. Em 2026, dois desses caminhos saíram do Nordeste e encontraram destino em Manaus. Entre as atletas apresentadas pelo 3B da Amazônia para a temporada, duas jogadoras vivem um momento especial na carreira: a primeira experiência no futebol do Norte. A fortalezense Akhemi Rodrigues Hori e a imperatrizense Júlia Barros carregam histórias diferentes, mas que agora se misturam no mesmo objetivo.
Tímida e de poucas palavras, a atacante Akhemi chega ao clube após uma longa trajetória no Fortaleza. Foi lá que tudo começou e onde ela construiu sua base no futebol.
“Antes de chegar aqui eu estava no Fortaleza. Fiz toda a minha base lá e essa é a primeira vez que venho jogar fora de casa. Sou natural de Fortaleza. A expectativa para essa primeira temporada aqui no Norte é a melhor possível. O grupo está bem focado e trabalhando forte para fazer uma grande temporada”, contou.

Akhemi Rodrigues Hori (Foto: Daniel Brandão)
Além do futebol, outro detalhe chama atenção logo de início: o nome da atacante. Akhemi carrega em sua história uma mistura de culturas que atravessa continentes. “Sobre o meu nome, é uma curiosidade que muita gente pergunta. Meu pai é japonês e minha mãe é cearense. Foi ele quem escolheu o meu nome. Ainda não tive a oportunidade de ir ao Japão, mas tenho muita vontade de conhecer”, comentou.
Em Manaus há pouco tempo, a jogadora também começa a se acostumar com a nova rotina, que inclui um clima diferente e novos sabores.“Aqui em Manaus eu já senti um pouco a diferença no clima. É bem mais abafado. Ainda não provei muitas comidas diferentes daqui, mas estou conhecendo aos poucos.”
Conexão MA-AM
Se para Akhemi tudo ainda é novidade, a zagueira Júlia Barros também vive seu primeiro capítulo no futebol amazonense, mas chega com uma bagagem construída em diferentes clubes do país. Natural de Imperatriz, no Maranhão, ela iniciou a carreira no Juventude Timonense e passou ainda por União Desportiva-AL, Avaí/Kindermann-SC e Potyguar Seridoense-RN.
A experiência por diferentes elencos ajuda na adaptação, principalmente quando reencontros acontecem no novo clube.
“Já conheço algumas meninas do elenco. A Kézia, por exemplo, jogava comigo no meu antigo clube, o Avaí/Kindermann. A gente já atuava juntas, então isso ajuda bastante no entrosamento. Quando você já conhece algumas companheiras de equipe fica bem mais fácil se adaptar. Quando é tudo novo, elenco e ambiente, acaba sendo um pouco mais difícil. Mas aqui as meninas me receberam muito bem, estou conseguindo me adaptar rápido ao grupo e ao trabalho”, disse.

Júlia Barros (Foto: Daniel Brandão)
Assim como a companheira de equipe, Júlia também começa a descobrir o cotidiano da capital amazonense. E apesar da fama do calor de Manaus, ela garante que já tem certa experiência com altas temperaturas.
“Aqui em Manaus o pessoal fala muito do calor. Já senti um pouco, mas de onde eu venho também é bem quente. Eu sou do Maranhão, da cidade de Imperatriz, então estou um pouco acostumada. Mas achei tudo bem diferente, principalmente a cultura. A comida daqui também é muito boa. Já provei alguns pratos e gostei bastante. Comi um peixe muito bom, mas agora não lembro o nome”, comentou, aos risos.
Entre descobertas, adaptação e novos desafios, as duas atletas iniciam juntas um capítulo importante com a camisa do 3B da Amazônia. O clube terá um calendário movimentado em 2026, com disputas da Série A2 do Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Campeonato Amazonense Feminino.
Estreia das nordestinas
A estreia na competição nacional acontece neste sábado (14), contra o Taubaté, às 15h30, no Estádio Ismael Benigno, a Colina. Para Júlia, a expectativa é de uma temporada intensa e de objetivos bem definidos.
“A expectativa para a temporada é muito boa. A gente tem um elenco muito forte e o nosso objetivo é buscar a classificação e conquistar o acesso mais uma vez, assim como o 3B já conseguiu antes. Acredito que temos tudo para fazer uma grande temporada”, finalizou.