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A Crítica
Política

Presidente da Associação dos Municípios avalia que Wilson será ‘diplomata’ da eleição

Presidente da AAM revela que desistência do governador beneficia Eduardo Braga e Plínio Valério, enquanto prefeitos do interior mantêm fidelidade a Omar Aziz e ao legado de Lula.

Publicado em 07/03/2026 às 11h45 · Atualizado em 07/03/2026 às 12h16
Presidente da Associação dos Municípios avalia que Wilson será ‘diplomata’ da eleição
Foto: Daniel Brandão /AC

Para o presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM), Anderson Sousa, o governador Wilson Lima se articula para ser o “diplomata” da eleição, costurando alianças e chapas para manter vivo seu poder político, apesar de ter desistido de concorrer a uma vaga – muito disputada – ao Senado.

Sousa é aliado e integra o mesmo partido do governador. Ele diz que ao menos 40 prefeitos que se preparavam para apoiar Wilson Lima ao Senado agora aguardam a indicação do líder político para migrarem para outras candidaturas. Alguns herdeiros possíveis, segundo ele, são o deputado estadual Roberto Cidade e até o vice-governador Tadeu de Souza. Enquanto isso, o maior beneficiário natural deste cenário, avalia o presidente da AAM, é o senador Eduardo Braga (MDB), pré-candidato à reeleição. Confira a entrevista.

O senhor tem participado de eventos do senador Omar Aziz, pré-candidato ao governo, do governador Wilson Lima e, num evento de dezembro do prefeito David Almeida, quando já se cogitava que ele seria candidato. O senhor já definiu seu apoio para esta eleição?

A minha definição de apoio independe da associação. Em 2023, o senador Omar lançou a candidatura dele e eu tomei a decisão de acompanhá-lo. Comuniquei ao prefeito David e ao governador Wilson Lima que em 2026 eu estaria no palanque do Omar, independente de estar na associação ou não. A eleição da associação na qual fui reeleito por aclamação foi em 2024.

O seu mandato vai até 2029. O senhor pretende se candidatar a algum cargo nesta eleição ou vai focar na associação dos prefeitos?

Não vou disputar nenhum cargo eletivo, vou continuar na associação. Como cidadão, eu vou ter oportunidade de fazer campanha para o senador Omar Aziz. O governo do estado tem uma relação muito boa com toda a bancada de deputados federais, onde nós buscamos deles o apoio constante para as demandas dos municípios. Temos boa relação com o senador Eduardo Braga e o senador Plínio Valério, como também com o capitão Alberto Neto, que hoje está se candidatando ao Senado. A primeira vaga nós sempre definimos que nós estaríamos com o governador Wilson Lima.

O ‘nós’ é o senhor especificamente?

Eu especificamente e a maioria dos prefeitos. Antes, 40 prefeitos de mandato e cerca de 30 ex-prefeitos já tinham definido apoiar o governador Wilson Lima na primeira vaga para o Senado. Outros 22 prefeitos, incluindo Manaus, haviam decidido apoiar o senador Eduardo Braga na primeira vaga. Mas na segunda vaga sempre acontecia de o senador Eduardo Braga ter os votos do Wilson, e na segunda vaga o Wilson ter os votos de onde o senador Eduardo tinha a primeira vaga. Isso foi muito comum nas pesquisas no interior do Estado. Na capital, como nós dizemos, é uma terra sem dono.

Havia, então, uma disputa de votos entre o governador Wilson Lima e o senador Eduardo Braga. O senhor sabe se a decisão do governador de não se candidatar passou por algum diálogo dele também com o senador Braga?

Não. Entre Eduardo Braga e o governador Wilson Lima existe uma relação cortês. O governador não se furta a conversar, a discutir as pautas de interesse do Estado, mas não houve nenhum entendimento para não ser candidato e amanhã ser apoiado. Pelo menos eu não tenho nenhum conhecimento nesse sentido. O que vejo é que o beneficiado nesse processo, devido à desistência do governador Wilson Lima, é o senador Plínio Valério, que tem tido uma constante presença no interior do Estado. Mas os prefeitos que sempre estiveram ao lado do governador Wilson Lima esperam por ele a indicação de um candidato. Ele pode indicar, quem sabe, o Tadeu ou outro nome que ele veja que seja importante, que tenha chance e que seja competitivo. Tenho certeza que a maioria dos prefeitos que sempre acompanharam o governador Wilson Lima vão continuar tendo esse carinho por ele e vão procurar realmente decidir apoiar o candidato que o governador indicar.

O senhor está dizendo que, ao não concorrer ao Senado, os 40 prefeitos que estavam com ele não necessariamente vão migrar para o senador Braga? Eles aguardam indicação de Wilson Lima para o apoio, isso?

O Eduardo foi muito beneficiado na saída do governador, porque ele tem um trabalho em todo o Amazonas e muitos prefeitos já são gratos a ele, mas os prefeitos também mantêm essa gratidão com o governador. O que eu digo é: com certeza, essa discussão passa pelos prefeitos e pelo governador Wilson Lima, que deverá até o final do mês de março construir a aliança. Ele está construindo as chapas de deputado estadual e deputado federal. Acredito que ele deve construir justamente uma chapa para o Senado também, para que possa consolidar as atividades e ser o magistrado nessa eleição. Ele não terá o envolvimento direto, preferencial, mas será aquele diplomata, aquele homem despojado de vaidade própria. Vai poder atender essa demanda desse momento eleitoral que vai crescer a cada dia, principalmente depois do dia 4, quando todos os candidatos definirem os partidos que irão ficar e nós vamos ver todos esses acontecimentos começarem a fluir.

O prefeito David Almeida disse que deve ter pelo menos metade do interior apoiando uma candidatura dele, sejam prefeitos, ex-prefeitos ou outras lideranças. Isso é possível?

Não, dificilmente. Eu tive a oportunidade de conversar com o próprio prefeito David sobre isso. O Omar já teve o nome consolidado no interior. Assim como Manaus recebeu dezenas de emendas parlamentares do Omar, para que Manaus pudesse fazer suas ações de políticas públicas, principalmente a infraestrutura, casas populares, da mesma forma ocorreu no interior. Então, não tem um município em que o senador Omar não colocou recurso na saúde, na assistência social, na defesa civil, na infraestrutura, em casas populares. Todos foram beneficiados. Então, dificilmente um município, hoje, tanto prefeito quanto ex-prefeito, se sinta confortável de ter outro caminho a não ser fechar com o Omar por gratidão.

O senador Omar recebeu prefeitos e ex-prefeitos na casa dele, nesta semana, por uma articulação sua. O que trataram?

Havia em Manaus 38 prefeitos e 30 ex-prefeitos, além de presidentes de câmara e vice-prefeitos. Nós tínhamos mais de cem pessoas na casa do senador Omar Aziz. O fato é que precisávamos discutir algumas pautas municipalistas. Entre elas estão as questões em que o governo federal está, dia a dia, através do Congresso, seja na Câmara ou no Senado, criando limites e tetos salariais para todas as classes: para o servidor público que trabalha como gari, para o que trabalha no administrativo, na educação, na saúde, para o monitor de classe. Enfim, todas as classes. Hoje são mais de duzentos projetos que nós temos no Congresso Nacional, dos quais vinte e dois projetos são bastante ruins para a administração pública.

Quando eles reconhecem que o ACS (Agente Comunitário de Saúde) e o ACE (Agente de Combate às Endemias) precisam receber insalubridade e o adicional, mas o município não recebe do governo federal o repasse devido, isso quebra o município. Acima de tudo, eleva o custo, porque quando o município tem a obrigatoriedade por lei de gastar até 54%, levando ao limite prudencial, ele não pode assumir esses custos. O governo precisa designar recursos específicos já apontando isso. Quando o governo aumentou o salário do professor em 14,5%, aumenta o salário automaticamente e aumenta o valor da arrecadação da RGPS (Regime Geral de Previdência) ou do RPPS (Regime Próprio de Previdência Social). O governo não assume o custo. Aumenta o PASEP, todos os encargos sociais aumentam e o governo não atua com isso. Quando você vai contabilizar, a maioria dos municípios já está na casa dos 60% ou 70%. Tem município que está com 79% do limite prudencial já ultrapassado por conta desses processos.

E trataram da eleição?

Discutimos isso e depois questionamos a situação política. Qual era realmente o caminho que o senador estava prevendo, quem seria o vice possivelmente indicado e se ele ia compor realmente com o senador Eduardo Braga. Ele foi bem claro em dizer que a questão de vice está indefinida, tem muito tempo para definir, haja vista que as coligações partidárias vão se resolver no início de agosto, nas convenções. Está muito cedo para definir quem vai ser o candidato a vice. A questão do senador já está certa de que o candidato ao Senado na chapa do Omar Aziz é o Eduardo Braga. Foi bem claro em colocar que o Amazonas não pode perder o Eduardo, e é o que todos os prefeitos conseguem entender também por ele ser um homem destemido e brilhante no Congresso Nacional.

E para a disputa nacional, qual o desenho no interior? A maioria dos prefeitos seguirá com Lula ou com o campo bolsonarista?

No interior, todos nós somos lulistas. Dificilmente você vai encontrar um prefeito que seja bolsonarista. Você viu na eleição passada: o interior virou a eleição. O Lula perdeu na capital, onde eu sempre digo que é difícil, porque não reconheceram o que o Lula fez. Se existe um gasoduto hoje em Manaus, quem fez foi o Lula. Você vê ali perto da Polícia Rodoviária mais de 15 mil apartamentos que o senador Omar fez na época com o Eduardo. Quem construiu aquela cidade foi o projeto do Lula. A ponte Iranduba-Manaus, Manacapuru e outros municípios, é recurso do Lula. Você vê a Arena da Amazônia, é recurso que o Lula alocou para cá. Projetos grandiosos, apoio significativo, o Luz para Todos, um programa que nenhum caboclo consegue esquecer porque, de fato, chegou. Você pega o programa que o Fernando Henrique criou, que era Luz no Campo, você não via luz em campo nenhum. Já o Luz para Todos do Lula você encontra.

Manaus tem dado vitória ao campo bolsonarista, apesar desses avanços citados pelo senhor. O que explica?

Ninguém consegue entender Manaus justamente por isso. Você vê o seguinte: nós tínhamos o Polo de Concentrados. Várias empresas de refrigerantes saem do Amazonas. Por quê? Porque, simplesmente por um decreto, o Bolsonaro tirou as vantagens. Vemos aqui computadores, a mesma coisa: várias empresas de computação saíram em função de que não compensava mais produzir na Zona Franca. Qual foi a única obra que o Bolsonaro fez no Amazonas? Foi a ponte lá em São Gabriel da Cachoeira, de madeira, de 70 metros, que liga uma comunidade à outra para poder sair da área rural e ir para a cidade. Algo insignificante que custou R$ 300 mil, e gastaram mais de R$ 500 mil só para inaugurar, porque vieram todas as aeronaves e toda a segurança. Quando você junta o custo para fazer a inauguração, ele supera o custo da obra. Portanto, dá para dizer que Bolsonaro não tem obra no Amazonas.