Dia Mundial do Diabetes: Amazonas tem mais de 185 mil casos
Brasil já ocupa sexta posição do ranking de países com mais casos da doença; mudança de hábitos e diagnóstico precoce evitam complicações
Doença crônica, o diabetes já afeta mais de 185 mil pessoas no Amazonas. Deste total, a maioria (61,72%) está na capital, Manaus, onde o número de diabéticos ultrapassa 114 mil. Os dados são da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) e não consideram casos não diagnosticados ou subnotificados. Em todo o planeta, a doença afeta hoje 10% da população mundial e o Brasil está na sexta posição do ranking de países com maior número de casos, conforme estudo da Federação Internacional do Diabetes (IDF em inglês).
Para alertar a população sobre os perigos da doença e conscientizar sobre a importância do diagnóstico precoce, celebra-se, em 14 de novembro, o Dia Mundial do Diabetes, cuja prevenção deve contar com hábitos saudáveis, como atividades físicas e alimentação equilibrada.
A endocrinologista Ana Clara d’Acampora, consultora do Sabin Medicina Diagnóstica, explica que existem dois principais tipos de diabetes. “O primeiro [chamado tipo 1] é causado pela destruição das células produtoras de insulina pelo próprio sistema imunológico. Já a versão mais comum [tipo 2] ocorre quando o corpo adquire resistência à ação da insulina e pode, com o tempo, passar a ter dificuldades para produzir o hormônio”, aponta.
A especialista destaca ainda a existência do diabetes gestacional, “já que a gravidez é uma condição que por si só gera resistência à insulina, então mulheres com tendência ao desenvolvimento de diabetes podem manifestar o quadro durante a gestação, o que pode ou não continuar após o parto”.
Segundo a médica, a melhor forma de prevenir o diabetes (especialmente o tipo 2) é focar na mudança de hábitos, a começar pela correta alimentação. “O consumo elevado de açúcar e gorduras é considerado um fator de risco para a doença. Evite a alimentação com ultraprocessados, como biscoitos, salgados, doces e refrigerantes. Em vez disso, prefira itens com menor índice glicêmico (açúcar), como legumes, frutas fibrosas e gorduras vegetais”, sugere a especialista. A prática de exercícios físicos também ajuda a reduzir o risco de desenvolver doenças crônicas como o diabetes, orienta Ana d’Acampora.
Sintomas e diagnóstico
Embora seja considerado ‘silencioso’ (sem sintomas) no início, o diabetes pode gerar complicações no organismo. Os sintomas de ambos são muito semelhantes, mas o diabetes do tipo 1 costuma ter início mais abrupto. A pessoa pode ter vontade de urinar diversas vezes, fome e sede constantes, perder peso, sentir fraqueza e náuseas. O problema acomete principalmente crianças, adolescentes e adultos jovens. É uma doença autoimune que destrói as células produtoras de insulina no pâncreas.
Já o tipo 2 está relacionado ao sedentarismo, à obesidade e a resistência à ação da insulina, sendo mais comum em pessoas acima dos 45 anos. Pode também causar infecções mais frequentes, principalmente em região genital (pela presença de açúcar na urina), alteração visual (visão embaçada), dificuldade de cicatrização e formigamento nos pés.
“O diagnóstico precoce, com início rápido do tratamento, é a melhor forma de evitar complicações e poder levar uma vida normal. Daí a importância da investigação. O exame mais comumente solicitado é o teste de glicose, que mede a quantidade de açúcar no sangue. Mas o especialista pode solicitar também o exame de hemoglobina glicada, que vai avaliar o nível glicêmico do paciente nos últimos três meses”, explica Ana d’Acampora.
Em geral, os exames são os mesmos tanto para o diabetes tipo 1 quanto para o tipo 2, ou seja, fazendo-se a mensuração dos níveis de glicose na corrente sanguínea com o paciente em jejum. O médico vai avaliar o paciente e orientar o melhor caminho. O acompanhamento pelo profissional de saúde e os testes adequados são fundamentais para afastar as complicações da doença, permitindo a adoção de medidas terapêuticas que possibilitem ao paciente uma vida normal.