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A Crítica
Opinião

Todos pela vacinação

Todas as crianças menores de cinco anos devem ser vacinadas contra a poliomielite

Publicado em 07/10/2022 às 08h35
Todos pela vacinação
Foto: Agência Brasil

Por um lado, é positivo que a maioria das pessoas, atualmente, nem saiba o que é poliomielite. Isso acontece porque não é mais uma doença que preocupe. Trata-se de uma moléstia das antigas, que acometia crianças e, lamentavelmente, deixa sequelas como paralisia dos membros. Foi uma chaga que atingiu o Brasil sem piedade. Ela também se chama “paralisia infantil” porque ficou famosa nos anos da década de 1980 por causar “paralisia flácida aguda”, ou seja, os membros inferiores ficavam sem forças para se movimentar, causando uma onda de pessoas paralíticas. Muitas, ainda hoje, vivem nessa condição, movimentando-se como cadeirantes, vivendo uma vida repleta de limitações. Trata-se de uma doença contagiosa aguda causada por vírus que pode infectar crianças e adultos e em casos graves pode acarretar paralisia nos membros inferiores.

A boa notícia é que existe vacina para evitar tal condição desde a década de 1960. A vacina oral contra a poliomielite foi desenvolvida por Albert Sabin e entrou em uso comercial em 1961. A vacina Sabin leva esse nome em homenagem a seu desenvolvedor e foi a responsável pela erradicação da doença em nosso País. A vacinação é a única forma de prevenção. Todas as crianças menores de cinco anos devem ser vacinadas. Amplas campanhas de vacinação a partir da década de 1970 resultaram em grande cobertura vacinal.

Mas é claro que houve resistência por parte de grupos conservadores retrógrados, para os quais inocular vacinas em crianças seria um ato anti-cristão – algo absurdo que convenceu a muitos, mas não foi capaz de superar o velho bom senso. 

O movimento anti-vacina de então foi superado, e a poliomielite deixou de ser uma preocupação até esta semana, quando um caso suspeito da doença passou a ser investigado pelo Ministério da Saúde no Pará. Um menino de três anos está apresentando sintomas característicos da doença. O caso desperta preocupação, mas também serve de alerta: é inadmissível que uma doença para a qual existe vacina eficaz volte a fazer vítimas. Infelizmente, a suspeita de pólio surge no momento em que há no País um crescente movimento anti-vacina, inclusive com apoio oficial de autoridades que, se tivessem alguma noção de saúde pública, deveriam incentivá-la.