Leitura vai perdendo relevância entre jovens
É cada vez menor o número de jovens que leem pelo simples prazer de uma boa leitura
É triste e preocupante a constatação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de que jovens de 15 anos apresentam as menores notas em leitura deste século. O teste aplicado pela instituição envolveu adolescentes de 91 países, o Brasil incluído, e é realizado desde 2000. É cada vez menor o número de jovens que leem pelo simples prazer de uma boa leitura. O ato de ler passou a ser algo mais instrumental, apenas para compreender as legendas curtas das postagens nas redes sociais, por exemplo. A leitura imersiva de um romance ou mesmo de um conto é algo cada dia mais raro. É perceptível a perda de interesse pelos livros.
Especificamente no Brasil, há pesquisas de grande relevância que atestam o desinteresse e o declínio do hábito de leitura, especialmente entre o público jovem. Para citar apenas um exemplo, a pesquisa “Retratos da leitura no Brasil”, realizada pelo Instituto Pró-Livro (IPL), mostrou que o Brasil perdeu quase 7 milhões de leitores em apenas quatro anos. Pela primeira vez na série histórica, o número de não leitores supera o de leitores.
Há muitos fatores envolvidos na questão. Um deles é que os tempos atuais moldam os hábitos da população, especialmente dos mais jovens; falta, segundo o estudo foco e concentração para leituras mais longas; ao mesmo tempo que cresce a preferência por redes sociais e vídeos curtos.
Vale ressaltar também que a era digital reduziu drasticamente a produção editorial neste século. Muitas publicações tentam sobreviver no ambiente online, onde a dinâmica de leitura é completamente diferente. Os livros – digitais e impressos – enfrentam uma concorrência dificílima com as telas, cada vez mais onipresentes desde a mais tenra idade.
O fato é que estamos diante de um cenário em que o hábito da leitura vai se transformando em uma atividade excêntrica e elitizada. A reversão desse panorama, segundo especialistas, passa por uma remodelação cultural e estrutural, adaptada à era digital. O modelo tradicional de ensino muitas vezes afasta o jovem ao impor clássicos complexos antes que o hábito da leitura esteja bem consolidado. O papel da escola é essencial para construir o prazer de ler e preparar o caminho para os novos leitores.