Escassez de ração de milho e soja ameaça a avicultura do Amazonas, dizem produtores
Conab possui carga no Mato Grosso que seria suficiente para solucionar o problema, mas por conta de problemas nas estradas o escoamento fica prejudicado
O Amazonas corre o risco de perder milhares de aves por falta de alimentos, especialmente ração de milho e soja.”Estamos vivendo o pior cenário dos últimos 50 anos. Se não houver milho e soja para as aves, milhares delas morrerão,pondo fim a um ciclo de prosperidade em função da falta de matéria prima,provocada pela greve dos caminhoneiros” afirmou Kuniya Takano presidente da Comissão de Avicultura da Federação de Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea) e presidente da Associação Amazonense de Avicultura (AAMA).
Em reunião realizada hoje na Secretaria de Produção Rural (Sepror), foi montada uma força tarefa para evitar aquilo que seria considerada a quebra da avicultura amazonense. Participaram da reunião produtores de ovos, o secretário da Sepror,José Aparecido dos Santos, Pedro Neto, da Companhia de Abastecimento Nacional/Amazonas (Conab), o representante do Ministério da Agricultura,Pecuária e Abastecimento (Mapa),Guilherme Pessoa,entre outras autoridades e especialistas do setor.
De acordo com os relatos dados na reunião, já está faltando milho e farelo de soja para que os criadores possam alimentar os animai. Se não houver ração, as aves começarão a morrer.
Por outro lado a Conab/Amazonas afirmou que dispõe, no Estado, de 562 mil quilos de milho e que recebeu, hoje, mais 1,2 tonelada direcionada aos pequenos produtores,mas que também podem servir para salvar as aves dos médios e grandes.
A Conab garantiu, ainda,ter mais de um milhão de toneladas em seus estoques no Mato Grosso. Caso fossem remanejadas para o Amazonas 30 mil toneladas, a avicultura local pode escapar da tragédia anunciada. Mas o movimento grevista dos caminhoneiros ainda assusta os produtores,porque há insegurança nas estradas.
O Mapa no Amazonas solicitou escolta de caminhões de Sapezal, no Mato Grosso, até Porto Velho para abastecer o Estado.”É a medida a ser tomada para evitar que a avicultura amazonense quebre.Se não há comida, as aves morrem”,afirmou Guilherme Pessoa.
Os produtores rurais Francisco Hélder de Oliveira Peixoto ( o maior do Estado,com mais de 750 mil aves) comprou 9 mil toneladas de milho da Conab,mas a carga ainda está em Sapezal e não tem como ser trazido para o Amazonas,por questão de segurança. O mesmo aplica-se ao produtor Milton Sakamoto, que comprou 1,2 mil tonelada em Sapezal e também não pode trazê-las. Por conta dessa dificuldade, os comboios que virão de Sapezal para Rondônia serão escoltados até Porto Velho e embarcados para o Amazonas.
Preocupação
O problema é o tempo que demora a viagem – são dez dias para chegar a Manaus.Por isso Kuniya Takano,o presidente da Faea,Muni Lourenço e o secretário Aparecido, estão mobilizados para que a Conab repasse parte do seu estoque no Amazonas para salvar os avicultores.” Estou conversando com o governador Amazonino Mendes sobre tudo que está acontecendo e vamos encontrar alternativas para evitar o colapso do setor” afirmou Aparecido.
O Amazonas tem um plantel de 2,5 milhões de aves e produz 2 milhões de ovos/dia.Cerca de 20 mil pessoas atuam no setor e aproximadamente R$250 milhões anualmente são movimentados pela avicultura amazonense.