Manaus dom, 25 out
A Crítica
Opinião

Economia e eleições

Os dados de emprego/desemprego e inflação têm e sempre tiveram papel fundamental no apoio popular ao governo da vez

Publicado em 02/09/2022 às 10h52
Economia e eleições
Foto: Agência Brasil

A eleição deste ano será decidida pela economia do País, que é o fator determinante do futuro da Nação desde sempre. Basta lembrar que a ditadura militar no Brasil não foi derrubada por uma revolução armada ou por uma convulsão social. A ditadura falhou em equacionar a economia do País, e no final da década de 70, enfrentávamos uma inflação galopante que dava claros sinais de descontrole, com reflexos no nível de emprego e nos demais indicadores econômicos de relevo. Sem conseguir comprar o suficiente para uma existência digna, a população passou a culpar o governo de plantão, o que resultou na queda da ditadura e redemocratização do País. 

Vale lembrar também que a ex-presidente Dilma Rouseff foi deposta em 2016 pelo desempenho da economia. Os dados de emprego/desemprego e inflação têm e sempre tiveram papel fundamental no apoio popular ao governo da vez. Com o instituto da reeleição, na década de 1990, o elemento econômico ganhou espectro inédito na República, o que ficou claro com a reeleição de Fernando Henrique Cardoso em 1998. Os mesmos fatores contribuíram para a reeleição de Lula em 2006. A crise econômica que eclodiu na década de 2010 trouxe repercussões de relevo e teve influência fundamental na erosão do apoio popular ao governo.

Não se trata de uma opinião. É um fato atestado por diversos estudos de cunho sociológico: a economia decide eleições, define impedimento de presidentes determina a vitória de candidatos.
E assim chegamos aos dias atuais, quando, mais uma vez, temos a economia desempenhando um papel fundamental nas eleições do próximo mês. E os dados estão aí; o que se vê é uma recuperação dos empregos e do faturamento das empresas em todos os ramos, o que já era esperado com a reabertura do varejo após os impactos negativos da pandemia de covid-19.

Por outro lado, é importante ressaltar que os números do emprego, apesar de positivos, guardam vários aspectos que precisam ser melhor avaliados, como o número recorde de trabalhadores informais e também dos desalentados, aqueles que precisam, mas simplesmente desistiram de procurar emprego.
As campanhas eleitorais dos diferentes candidatos tentarão, de todas as formas, usar esses números em proveito próprio. Caberá ao eleitor esclarecido perceber o que há de certo e de equivocado em cada interpretação.