Clubes do Amazonas homenageiam Daniel Sales, compositor que deu voz às torcidas
De Manaus ao interior, equipes lembram legado do artista e celebram os hinos que transformaram paixão em identidade sonora do futebol amazonense
O futebol amazonense está mais silencioso. A notícia da morte de Daniel Sales da Costa, escritor, pesquisador, sambista e o maior compositor de hinos de clubes do Amazonas, provocou uma onda de homenagens que ecoou pelos gramados, sedes sociais e corações de torcedores. De Manaus ao interior, cada clube que teve a honra de carregar um hino composto por Daniel deixou registrada sua gratidão, um gesto justo para quem transformou paixão em música e deu identidade sonora ao esporte do estado.
O Manaus FC, equipe mais jovem a ser eternizada por seus versos, lamentou profundamente a perda de seu coautor do hino oficial. Em nota, o clube destacou a sensibilidade e grandeza do compositor, recordando o trecho marcante que já virou grito de arquibancada: “Voa! Voa Gavião do Norte, tu és guerreiro, tu és forte!” Para o Manaus, Daniel não escreveu apenas palavras; deu voz à alma do Gavião.
O Princesa do Solimões também prestou tributo emocionado. O clube de Manacapuru relembrou que Daniel Sales eternizou a força do Tubarão do Norte em um hino que se tornou símbolo de união e identidade. Em nota, exaltou o compositor como parte inestimável da história do clube, alguém que traduzia, em melodia, a garra e o orgulho de sua torcida.
O América, primeiro clube a receber um hino oficial das mãos de Daniel em 1998, igualmente manifestou pesar e reconhecimento. Assim como tantas outras agremiações, o Mequinha lembrou o carinho e a dedicação do artista pela cultura esportiva do estado, reforçando a dimensão de seu legado.
Marca nos clubes
Assim, entre os anos de 1998 e 2013, Daniel percorreu o Amazonas deixando sua marca em diversos escudos, cores e torcidas. Seu primeiro hino no futebol profissional nasceu em 1998, quando deu voz ao tradicional América. Pouco depois, no início dos anos 2000, ele mergulhou na história do Clíper Clube e do Libermorro, criando para ambos melodias que rapidamente se tornaram parte da identidade das equipes.
Em 2004, sua inspiração chegou ao Princesa do Solimões e ao Grêmio Coariense, dois clubes que receberam de Daniel composições que ajudaram a fortalecer o sentimento de pertencimento de suas torcidas. Anos mais tarde, em 2008, foi a vez do Holanda ganhar seu hino oficial, seguido, no ano seguinte, por duas novas obras: o hino do Tarumã e o do CDC Manicoré, ambos marcados pela energia das comunidades que representam.
Já em 2011, Daniel deu vida musical ao Iranduba da Amazônia, traduzindo em versos a força e o carisma do clube. E, encerrando esse ciclo brilhante, em 2013, ele presenteou o Manaus FC com uma composição que, pouco tempo depois.
Foram dez clubes, dez histórias e dez identidades sonoras criadas por suas mãos.
Despedida e legado
Daniel Sales da Costa morreu na madrugada do último domingo, 16 de novembro, aos 59 anos, no Hospital Santa Júlia, em Manaus. O velório ocorreu na Funerária Almir Neves e o sepultamento ontem, às 11h, no Cemitério São João Batista. A família agradeceu todas as manifestações de carinho e solidariedade recebidas.