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A Crítica
Opinião

Dilema do petróleo na foz do Amazonas

Será que não seria o caso de direcionar todos esses bilhões para o desenvolvimento de outras fontes energéticas?

Publicado em 22/10/2025 às 08h53
Dilema do petróleo na foz do Amazonas
Foto: Agência Brasil

Está aprovada pelo Ibama a perfuração do primeiro poço de petróleo na foz do rio Amazonas. A liberação foi concedida no limite do prazo. Se saísse nesta quarta-feira, não teria nenhum valor, e a Petrobras teria que reiniciar todo o processo de licenciamento a partir do zero, o que, praticamente, inviabilizaria a exploração naquela área.

Bem, a autorização está dada e a estatal promete iniciar a perfuração imediatamente.
Tal fato é emblemático e suscita uma série de ponderações. Estamos falando da primeira perfuração em busca de petróleo na foz do maior rio do mundo, isso às vésperas do evento ambiental mais importante do planeta, a COP-30, que acontecerá em Belém, no Pará, entre 10 e 21 de novembro.

Um dos motes principais do evento é a necessidade urgente de acelerar a transição energética, substituindo o uso de combustíveis fósseis – os derivados de petróleo – por opções renováveis, como energia eólica e solar.

Será, no mínimo, estranho para o governo brasileiro, que sedia o evento, desenvolver qualquer discussão sobre uso de energias limpas quando acaba de aprovar a exploração de petróleo na foz do rio Amazonas, que rega um dos biomas mais sensíveis e relevantes do mundo, a planície amazônica.

Cabe ressaltar que foi aprovado apenas a perfuração do primeiro poço.
Como a própria Petrobras esclareceu, trata-se de uma tentativa, com elevada chance de fracasso.

Se nada for encontrado nesse primeiro poço, outras tentativas terão que ser submetidas à aprovação técnica, em um processo que deve consumir alguns bilhões de reais.
Isso, no momento em que se pretende estimular o uso de energias limpas.

E, ainda que haja sucesso, a exploração comercial apenas seria viável em mais três ou quatro anos. Será que não seria o caso de direcionar todos esses bilhões para o desenvolvimento de outras fontes energéticas?

Apesar de todas as resistências, a substituição do petróleo segue em ritmo considerável.
Os veículos elétricos avançam no mercado a cada ano. A consciência ambiental segue tomando lugar antes ocupado pelo negacionismo climático. Que papel o Brasil desenvolve nesse cenário? A história dirá.