Manaus dom, 8 nov
A Crítica
Opinião

Reação urgente contra o garimpo ilegal

No final do ano passado, mais de 160 balsas utilizadas pelos criminosos foram destruídas pela Polícia Federal

Publicado em 20/07/2022 às 08h34
Reação urgente contra o garimpo ilegal
Foto: Divulgação UNIJAVA

A ameaça do garimpo ilegal no Rio Madeira não acabou e não vai acabar a menos que o governo brasileiro ponha em prática uma política efetiva de combate a esses ilícitos. No final do ano passado, mais de 160 balsas utilizadas pelos criminosos foram destruídas pela Polícia Federal, em operação realizada para frear a atividade ilegal e predatória no rio. No entanto, esse tipo de abordagem será meramente paliativa se não houver a presença permanente dos agentes federais. Neste momento, pelo menos 20 balsas atuam livremente na área, contaminando o rio com mercúrio e colocando em risco a fauna aquática, a saúde e a segurança das populações que se alimentam dos peixes.

A situação é das mais sérias. Além da atividade mineradora ilegal e dos claros danos ao rio e à sua fauna, a mineração clandestina traz consigo desmatamento, violência contra indígenas e povos tradicionais, queimadas, devastação e uma ampla gama de problemas sociais. As autoridades não podem ficar de braços cruzados. A abordagem reativa tem que mudar imediatamente, sob pena de vermos uma situação completamente fora de controle. A livre atuação dos invasores, que agem sem serem incomodados, é uma péssima mensagem para aqueles que buscam enriquecimento fácil sem qualquer preocupação socioambiental.

Não há tempo a perder, o País precisa reagir fortemente contra a degradação ambiental e social que está em curso. Não basta realizar operações pontuais para expulsar os garimpeiros. Eles vão voltar logo que os agentes forem embora. A presença permanente do Estado na região é fundamental. Não apenas com policiamento, mas com ações concretas de cidadania e garantia de direitos. O País agora se ressente da desmobilização de instituições como a Fundação Nacional do Índio (Funai), do Ibama e do ICMbio. São órgãos que, se devidamente aparelhados, desempenhariam papel fundamental na proteção das áreas ora ameaçadas pela ilegalidade. Tais entidades devem ser resgatadas da péssima situação em que se encontram, com poucos funcionários, veículos e equipamentos, sem as mínimas condições de cumprir adequadamente suas missões institucionais.

Ainda não é tarde. Mas é preciso compreender a gravidade da situação e tomar com urgência as medidas cabíveis. O País não pode esperar que a tragédia se instale de vez.