Do Amazonas ao ápice do UFC BJJ: a trajetória de Carlos Henrique
Amazonense, que acaba de defender seu cinturão dos pesos leves, fala da sua história e do plano de migrar para o MMA
Primeiro brasileiro campeão do UFC BJJ, o lutador amazonense Carlos Henrique, 26, defendeu com louvor seu cinturão dos pesos leves na última quinta-feira, em Las Vegas, vencendo seu conterrâneo, Matheus Gabriel, por decisão unânime dos juízes. No auge da sua carreira até aqui, ele falou sobre sua trajetória, e do desejo de seguir fazendo história no UFC, tanto na versão ‘jiu-jitsu’ da marca, quanto no MMA, em breve.
Quem vê Henrique sendo campeão em Las Vegas, detentor do cinturão do UFC, não imagina a origem humilde do atleta, e as dificuldades na infância, tendo sete irmãos, e pai, já falecido, que se ausentou cedo, tendo seguido o rumo da criminalidade. Nessa realidade, o jiu-jitsu surgiu como uma ponte para levá-lo até uma vida melhor, como acontece com muitos lutadores.
Henrique foi apresentado ao jiu-jitsu através de um amigo. De cara, simpatizou com a arte marcial e logo ele e ‘ela’ ficaram inseparáveis, com o lutador treinando diariamente e passando cada vez mais tempo aperfeiçoando a ‘arte suave’.
“Eu via atletas que vieram de baixo e mudaram a vida deles, através do jiu-jitsu; abriram academia nos Estados Unidos, e pensei, eu tenho talento, então vou trabalhar para mudar a minha vida também. Sendo bem sincero, se não fosse o jiu-jitsu, eu talvez seguiria o caminho errado, pelo fato de estar ali perto de mim”, conta Henrique, que morava no bairro da Alvorada, zona Centro-Oeste de Manaus, e integrou academia Checkmat, e depois Nova União, na cidade.
Trajetória até o UFC
Henrique começou em 2014, mas foi somente em 2019 que ele recebeu um convite que abriria as portas para ter o seu sonho de mudar de vida realizado. “Era um projeto social em São Paulo, gigante, em que me deram todo suporte e estrutura para treinar e competir no exterior”, relembra ele, que, nesse período, contou com o mestre Isaque Baiense.
A primeira competição fora do Brasil de Henrique foi em Portugal, tendo sido campeão europeu, ainda com a faixa azul. Mas depois veio a pandemia de Covid-19 e Henrique precisou retornar a Manaus. Mas, sem problema. Após a pandemia, o atleta disse que voltou ainda melhor e se destacou nas faixas roxa e marrom, tendo sido campeão mundial em 2022, quando foi pela primeira vez para os Estados Unidos.
“Meu professor abriu uma academia no Texas e me colocou para dar aula lá também, e eu sem saber nada de inglês, me virei, na marra, e foi muito bom, conheci pessoas, inclusive, a minha esposa, Camryn, que é americana”, disse Henrique, que, inclusive, tornou-se pai há cerca de duas semanas, com o nascimento de Daniela.
Foi questão de tempo até o lutador perceber que precisava focar na carreira antes de se dedicar em dar aulas e então se destacar em competições nos EUA, até ser chamado para o reality show “UFC BJJ: Road to The title”, do qual saiu campeão dos pesos leves, e viu sua carreira alavancar.
“Espero ser sempre lembrado como o primeiro brasileiro campeão do UFC BJJ, se este evento virar uma máquina, como o UFC MMA; entrar para o hall da fama”, ressalta o lutador.
Do jiu-jitsu ao MMA
Apesar de ser campeão e dono do cinturão pesos-leves do UFC BJJ, Henrique revela que sonhava desde cedo em ter o título da marca, só não sabia que seria no jiu-jitsu, pois ele planejava mesmo migrar para o MMA um dia, e ainda tem esse plano.
“Eu tenho esse sonho de criança, já treino bastante MMA e gosto de me colocar em situações de dificuldade, desafiadoras. Então farei minha primeira luta no MMA amador, lá no Texas, no dia 26, porque agora que já estou aqui, que já conheci praticamente todo mundo do UFC e que já tenho o título no jiu-jitsu, a facilidade de entrar no MMA é muito maior”, ressalta.