Ana Isinbayeva: nome e espírito de campeã
Amazonense batizada em homenagem à ex-atleta russa, Yelena Isinbayeva, se destacou no Norte-Nordeste sub-16 e fala sobre trajetória e história do nome
Quando se escuta o nome Isinbayeva, toda pessoa que acompanha esporte logo associa à ex-atleta russa do salto com vara, Yelena Isinbayeva. Mas na pista da Vila Olímpica de Manaus quando alguém fala este nome não famoso, quem atende é uma menina de 14 anos, que treina de segunda à quinta. O nome igual não é coincidência: a atleta manauara foi batizada em homenagem à bicampeã olímpica e tricampeã mundial.
Apesar de ter o mesmo nome e também ser do atletismo, Ana Isinbayeva compete em outra prova: a de velocidade. Na última semana, ela se destacou no Troféu Norte-Nordeste Loterias Caixa de Atletismo Sub-16, em Fortaleza. Ela foi ouro nas provas de 75 metros e 250 metros rasos.
“Fiquei muito feliz e, não posso mentir, senti um grande alívio porque fiz marcas extremamente boas, que nunca tinha feito na vida. Quero primeiramente agradecer a Deus, meus pais e ao treinador porque foi algo inexplicável”, declarou a atleta.

Ana treina na Vila Olímpica de Manaus e tem como especialidade as provas de velocidade (Junio Matos)
Ana foi campeã com o tempo de 9,82 segundos nos 75 metros e 34,37 segundos,nos 250. Em outubro, ela competirá no Campeonato Brasileiro Interclubes Loterias Caixa de Atletismo Sub-16, em João Pessoa, na Paraíba.
“Aplicando minhas marcas para o Brasileiro, a gente pode ver que eu vou lutar pelo ouro, que é a minha grande expectativa e o que eu quero conquistar, então a gente vai continuar treinando nessa caminhada pra ir em busca do ouro no Brasileiro”, disse.

Yelena Isinbayeva, que inspirou o nome de Ana foi uma atleta russa de salto com vara. Bicampeã olímpica e tricampeã mundial, a atleta é recordista da prova (Reprodução)
Nome de campeã
Ser batizada em homenagem a uma esportista do atletismo também não foi coincidência. O pai de Ana – este é o primeiro nome dela – praticava atletismo desde muito novo, em Roraima, mas quando chegou no início da idade adulta precisou parar para estudar e trabalhar. Além de atleta, David Andrade é um amante de esportes e sempre acompanhou eventos esportivos. Quando soube que seria pai, pensou em homenagear algum atleta ao batizar a criança.
“Eu esperava que fosse um menino, aí tinha escolhido Didier Drogba, que é um jogador muito famoso de Camarões. Só que quando fizemos o ultrassom era mulher e fiquei pensando, procurei um nome porque não queria nome comum e eu também assistia vários esportes, principalmente atletismo e coloquei Isinbayeva. Só que a minha esposa não conseguia pronunciar e agregamos o Ana”, relembra Davi.
Quando Ana Ysinbayeva completou seis anos e foi para a escolinha de atletismo, David explicou para a filha sobre a origem do nome dela e os feitos da atleta russa, referência mundial no salto com vara com imagens e vídeos na internet. Logo, a menina se animou em saber que tinha o nome de uma campeã e sempre pedia para ver fotos e coisas a respeito de Yelena.
“Desde que ela soube a origem do nome, ela sempre pedia para ver fotos da Isinbayeva. Inclusive, quando trouxe ela pra inscrever na escolinha, perguntaram o nome dela. Quando falou, o moço disse: ela tem nome de campeã e a Ana disse: sim e eu vim para ser campeã porque tenho nome de uma”, conta.
Feliz ao saber a origem do nome, Ana Isinbayeva logo incorporou o espírito de campeã e diz gostar da escolha feita pelo pai. “Meu nome é inspirado na recordista mundial do salto com vara e quando eu ainda estava no ventre da minha mãe, meu pai decidiu passar o amor que ele tinha pelo atletismo e resolveu colocar o nome da filha dele como nome da recordista e isso foi evoluindo dentro de mim. Eu sou muito fã [da Yelena Isinbayeva] e gosto muito do meu nome. Apesar de ser diferente, já que você não encontra nos lugares, eu gosto muito do meu nome porque eu me sinto campeã com o meu nome”, declarou.

Ana ao lado do pai, David, que também é o seu treinador (Junio Matos)
Influência no atletismo
Com o pai ex-atleta e nome de atleta, foi inevitável que Ana Isinbayeva parasse nas pistas, porém ela chegou até lá de forma natural. O pai dela contou que o interesse da filha pelas corridas surgiu quando ela ainda era bem pequena. Ele costumava ir correr no Parque Jefferson Peres, no Centro, ou na Ponta Negra, sempre acompanhado da esposa e da filha. A menina, ao ver o pai fazendo as atividades, se soltava da mão da mãe e saía correndo também. Ela tinha cinco anos.
Em outra ocasião, David levou a filha na pista da Vila Olímpica e, ao ver as outras crianças correndo, entrou na brincadeira também. Com Ana pegando gosto pela corrida e sabendo da origem do nome, ela acabou entrando em uma escolinha de atletismo do Programa Esporte e Lazer na Capital e Interior (Pelci). Hoje, Ana é treinada pelo pai, que é formado em Educação Física e trabalha junto com a filha para além do nome, ela ter uma trajetória de campeã.