Geração Z muda o consumo da moda e revoluciona modo de vestir
Jovens que cresceram em meio a tecnologia e redes sociais seguem transformando não somente o jeito de se vestir, mas também de consumir moda
A Moda sempre foi um reflexo do seu tempo – e, nos últimos anos, quem tem dado o tom das mudanças é a Geração Z (ou Gen Z). Jovens que cresceram em meio a tecnologia, redes sociais e novos debates sociais estão transformando não apenas o jeito de se vestir, mas também de consumir.
Para entender melhor esse fenômeno, o VIDA deste fim de semana conversou com a consultora de Moda e Estilo Jessica Zany, que destacou pontos como o estilo genderless – ou sem gênero – e a valorização de marcas independentes, além da força do TikTok como a grande passarela da vez.
Segundo Jessica, o impacto do movimento genderless é profundo, pois vai além de uma tendência passageira.
“Não é uma roupa masculina que uma mulher pode usar, nem uma roupa feminina que um homem pode usar. É uma roupa. Existe esse padrão de fluidez, de conforto, de estampas abstratas e isso conversa diretamente com a individualidade que a Geração Z tanto valoriza”, destacou.

Jessica Zany é consultora de Moda e Estilo que atua em Manaus (Foto: Divulgação) ()
Essa busca por identidade própria também se reflete no consumo. Para a consultora, os jovens escolhem com mais consciência.
“É muito característico do jovem ter esse pensamento de individualidade. Eles querem autenticidade, querem propósito. E nada melhor do que a Moda para expressar isso”, afirmou Jessica.
Tal postura abriu espaço para marcas independentes e autorais que, hoje, conquistam visibilidade no mercado justamente por oferecerem algo diferente do que as grandes grifes tradicionais.
Rede social
Outro fator impossível de ignorar é o TikTok, que virou a principal vitrine de tendências. Se antes eram passarelas e editoriais que ditavam o que se usaria na próxima estação, agora, são os vídeos curtos e virais que determinam o que vai parar nas lojas.
“Ali, é onde nascem as tendências, porque os criadores e as marcas estão de olho o tempo todo no que está surgindo. O TikTok se consolidou como a rede social dos jovens e, consequentemente, da Moda também”, comentou Jessica.

O estilo genderless permite que qualquer pessoa use qualquer peça de roupa sem ser limitada por rótulos de gênero (Foto: Divulgação) ()
A personalização também entrou na lista de prioridades. Hoje, estilistas e designers têm que se adaptar para criar coleções e peças que reflitam a sensação de quem vai usá-las – e não estereótipos antigos.
“A gente não pensa mais o rosa como uma cor feminina ou o azul como masculina. O que importa é como aquela pessoa quer se sentir”, explicou a consultora.
Entre as tendências que nasceram com a Geração Z e já ganharam o mercado de massa, Jessica cita a sustentabilidade (com roupas de maior durabilidade e tecnologia ecológica), a valorização das cores neutras e o chamado “old money” – estilo marcado por tons minimalistas e discretos.
“Se você entrar numa Zara, hoje, vai perceber: as coleções estão cada vez menos coloridas, com mais paleta neutra. Isso é muito fruto dessa geração”, afirmou.
Para ela, o grande legado que esses jovens estão deixando é a liberdade de ser e se expressar sem rótulos.
“A moda é, acima de tudo, uma forma de expressão. E a Geração Z nos mostra todos os dias que não existem mais barreiras para essa expressão”, concluiu Jessica.