Sustentável e competitivo, Cooperativismo cresce no Brasil
Existem 4,8 mil cooperativas diversas no Brasil, mas as que mais crescem são as cooperativas de crédito: 818 no total, somam 16,5 milhões de cooperados e gerando 89 mil empregos diretos
É comum ouvir falar em cooperativas, mas nem todo mundo sabe como funciona este modelo de negócio tão antigo, que surgiu na Europa em 1844, na cidade de Rochdale-Manchester, no interior da Inglaterra. Com a filosofia de transformar o mundo em um lugar mais justo, equilibrado e com melhores oportunidades para todos, o modelo oferta 250 milhões de empregos e é responsável pela 9ª economia do mundo.
Ao todo, existem 4,8 mil cooperativas diversas no Brasil. Mas as que mais crescem são as cooperativas de crédito: 818 no total, somam 16,5 milhões de cooperados e gerando 89 mil empregos diretos, segundo dados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). No mundo, este número salta para 87 mil cooperativas e 394 milhões de cooperados.
A gerente geral da OCB, Fabíola Mota, explica que as cooperativas democratizam o acesso ao crédito, principalmente em meio às dificuldades de encontrar financiamento em tempos de crise pós-pandemia. “O propósito destas cooperativas é promover comunidades resilientes e iguais que podem alcançar inclusão financeira. O cooperativismo tem um papel social e econômico muito importante nisto”, ressalta.
O modelo que cresce a cada dia une sustentabilidade e competitividade, ainda conforme Fabíola.
“Em 2021 os 10% mais ricos da população global controlavam 76% da riqueza mundial. Algo completamente injusto. As cooperativas possuem esse papel de igualar as condições. Hoje em dia o consumidor contemporâneo está procurando ser voz ativa no que consome, quer ter condição de reclamar, opinar, sugerir. Quer saber o negócio que existe por trás do negócio, se preocupa com o meio ambiente. E tudo que se fala hoje a respeito disso, as cooperativas já fazem há muito tempo”, explica Motta.
Segundo a especialista, um dos maiores desafios é fazer com que as pessoas que não conhecem o modelo sintam-se seguros. “A insegurança é mais o desconhecimento do que a falta de legislação. Nós temos legislação adequada ao modelo de cooperativas. É uma regulação que não é como a de bancos tradicionais, pois é adaptada. Mas existem diversos dispositivo constitucionais que incentivam e defendem nosso movimento no Brasil”, frisa.
O Banco Central do Brasil, por exemplo, define uma cooperativa de crédito da seguinte maneira: é uma instituição financeira formada pela associação de pessoas para prestar serviços financeiros exclusivamente aos seus associados.
“Os cooperados são ao mesmo tempo donos e usuários da cooperativa, participando de sua gestão e usufruindo de seus produtos e serviços. Nas cooperativas de crédito, os associados encontram os principais serviços disponíveis nos bancos, como conta-corrente, aplicações financeiras, cartão de crédito, empréstimos e financiamentos. Os associados têm poder igual de voto independentemente da sua cota de participação no capital social da cooperativa. O cooperativismo não visa lucros, os direitos e deveres de todos são iguais e a adesão é livre e voluntária”, explica o BCB.
lucros.
Por meio da cooperativa de crédito, o cidadão tem a oportunidade de obter atendimento personalizado para suas necessidades. O resultado positivo da cooperativa é conhecido como sobra e é repartido entre os cooperados em proporção com as operações que cada associado realiza com a cooperativa. Assim, os ganhos voltam para a comunidade dos cooperados.
Os números mostram a magnitude do movimento. No ano passado, as cooperativas de crédito no Brasil somaram R$ 359 bilhões em depósitos, com ativos totais de R$ 460 bilhões e R$ 315 bilhões em operações de crédito.
Funcionamento
As principais decisões de uma cooperativa, como a eleição da diretoria, a escolha dos conselheiros e a definição da política de distribuição dos resultados são tomadas pela Assembleia Geral — órgão soberano composto por todos os cooperados ou por representantes destes (delegados).
Dentro de uma cooperativa, todo cooperado tem voz e poder de decisão. Na prática, cada pessoa representa um voto e as decisões são sempre tomadas de forma democrática, pela maioria.
A Assembleia Geral Ordinária se reúne apenas uma vez por ano. As outras assembleias são chamadas de extraordinárias e podem ocorrer sempre que a cooperativa precisar discutir algum assunto importante. Ambas vinculam todos os cooperados, ainda que ausentes ou discordantes.
Transparência nos processos
Para ser bem sucedida, toda empresa precisa contar com um grupo de estrategistas: pessoas capazes de identificar as principais oportunidades e ameaças do mercado, definindo os caminhos por onde o negócio deve ou não caminhar.
Dentro das cooperativas, essa função é exercida pelo Conselho de Administração ou Diretoria — órgão de caráter decisório, composto por, no mínimo, cinco e, no máximo, onze diretores eleitos pela Assembleia Geral para esse fim.
No cooperativismo tudo deve ser bem transparente. E a melhor maneira de garantir que os interesses dos cooperados estejam sempre em primeiro lugar é nomeando um Conselho Fiscal — órgão colegiado, eleito pela Assembleia Geral, com poderes para fiscalizar, assídua e minuciosamente, os atos da administração da cooperativa.