Após se tornar mãe, técnica em química abandona a carreira para se dedicar ao artesanato
Shirlly Monteiro não se arrepende de ter trocado sua antiga profissão, de técnica em química, para seguir a carreira de artesã. A mudança de vida foi impulsionada pela maternidade
“Aos 17 escolhi a profissão que queria mas aos 26 descobri uma profissão que me completa”, diz Shirlly Monteiro, que aos 32 anos, mãe de duas meninas – Nívea de 13 e Eduarda de seis anos – não se arrepende de ter trocado sua antiga profissão, de técnica em química, para seguir a carreira de artesã. A mudança de vida foi impulsionada pela maternidade.
Tudo começou quando a filha mais velha de Shirlly pediu uma boneca de presente em 2014. “Ela pediu uma boneca de uma personagem que até então não tinha muitos lugares disponibilizando para venda. Adquiri a boneca em uma loja online, porém deu problemas com o fornecedor e apesar de termos sido ressarcidos, ficamos sem o produto. E fui pesquisar sobre a mesma, e durante a pesquisa conheci os trabalhos em feltros e fiquei totalmente encantada”, relembra.
Shirlly perguntou, então, se a filha aceitaria uma boneca feita por ela, com as próprias mãos. “Com a resposta positiva, adquiri alguns materiais e fui em busca de conteúdos didático para praticar. Na cidade não encontrei nada igual ao que eu gostaria de aprender, então investi em cursos totalmente online o que me possibilitaram aprender em casa e com presença constante em família”.

(Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)
Ao conhecer o artesanato, ela percebeu que aquilo poderia virar um negócio e criou a Grazi Arts. Em 2015, teve seus primeiros clientes. “Meus primeiros clientes eram familiares e amigos, e já de início apostei nas vendas online através do Facebook e depois Instagram, que fizeram meus trabalhos chegaram pro Brasil inteiro”.
Hoje com 30,2 mil seguidores no Instagram, além do Brasil, Shirlly também envia as peças para países como Portugal e Colômbia. Também conseguiu fechar parceria com a empresa Nacional Tekbond artesanato, Enchimento Lolô Soft, e outros fornecedores do Brasil.
E mesmo com o crescimento do negócio, a artesã optou por uma linha mais segmentada. “Optei por trabalhar somente por encomenda e com produtos totalmente personalizados na linha maternidade e festa. Logo, a nossa demanda de produção é de acordo com o tempo que tenho disponível no mês. A procura é alta e nem sempre consigo atender a todos”.
Priorizando sempre a qualidade de tempo com a família, Shirlly diz que hoje não contabiliza a quantidade de encomendas no mês, e sim o quanto pode atender naquele período. “Por exemplo, às vezes um único pedido fechado pode cobrir a meta do mês. Iniciei trabalhando com preço, mas com o tempo passei a dedicar à entrega de peças com valor”.
Fonte de renda
Quando começou a empreender, o intuito era fazer uma renda extra para complementar o sustento da família. Mas segundo ela, como todo empreendimento, os valores mensais são bem oscilante.
“Era o que eu acreditava, porém em 2018 tivemos uma ótima experiência, meu marido ficou sem emprego e durante esse período a “renda extra” se tornou a nossa renda principal. Com o esposo em casa consegui focar na produção em massa. Então posso dizer com plena certeza que é um trabalho que pode sustentar uma família”.
A artesão explica que encomendas são sustentáveis, mas exige muita dedicação. “Com o retorno do meu esposo ao mercado de trabalho, voltamos a optar por produção em baixa escala para aproveitar mais tempo com as meninas. E o negócio voltou a ser uma renda complementar”.
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O nome e as redes: A artesã está presente com a Grazi Arts tanto no Instagram (@grazi_arts), no Facebook (graziartsfelt) e no canal no Youtube (GraziArts). Já o nome da marca é em homenagem a uma filha que Shirlly perdeu, quando ainda estava gestante. A passarinha na mão, na foto ao lado, foi batizada por Shirlly de ‘Anjinha Grazi’.
Maternidade inspiradora
Shirlly teve uma boa experiência no empreendedorismo e frisa que a maternidade não é algo que pára uma mulher, mas inspira e motiva a fazer o inesperado. “Em nenhum momento nos meus planos estava ser uma empreendedora artesanal. Ainda temos muitos passos pela frente, muitas metas a cumprir, ajuste a serem feitos e estudados, mas saber que posso colorir o mundo de outras pessoas através do trabalho artesanal estando bem pertinho da minha família já é uma meta superada e não tem preço”.
Ela lembra que, vez ou outra, recebe questionamentos de outras mães que querem saber se o “artesanato dá dinheiro”. “Acho sempre válido responder de forma realista: não existe nada que “dá dinheiro”, todo negócio tem o “correr atrás” e depende muito do objetivo de cada pessoa. Ser uma mãe empreendedora tem muitas semelhanças a qualquer outro empreendimento: tem que estudar,planejar,saber o que se encaixa no tempo disponível,saber o quanto seu trabalho vale, é tirar uma boa foto e etc. Mas o grande diferencial é saber equilibrar isso tudo (e mais um pouco) dentro da rotina materna”.
Dicas para empreender com artesanato e ter sucesso
Defina o nicho de mercado
Trabalhar com nichos é uma estratégia de negócio que é adotar. E graças aos recursos disponíveis na internet, ficou bem mais fácil chegar nas pessoas que fazem parte do seu nicho de mercado.
Entenda tudo que envolve a gestão do negócio
Você precisa aprender a fazer a gestão da sua marca de artesanato, montar um plano de negócio, cuidar das finanças e tudo o que envolve o trabalho dos empreendedores. manchete.
Organize sua rotina
Mesmo que você trabalhe em casa, é importante ter um espaço reservado para isso. E a família e aqueles que vivem com você precisam saber quais são seus horários de trabalho para não atrapalhar seu processo de criação e produção artesanal.
Acerte na precificação
Dar o preço certo para as peças é crucial para quem deseja viver de artesanato. Além de posicionar sua marca no mercado, calcular corretamente o preço de venda ajuda você a evitar prejuízos, ter um salário e garantir o lucro do negócio.
Fonte: Blog Eduk