Crise dos combustíveis
A escalada de preços dos combustíveis no Brasil atinge patamares inéditos, assusta condutores, faz motoristas por aplicativos desistirem da atividade e causa um efeito dominó que alimenta a inflação em praticamente todos os setores da economia. Algo realmente preocupante, que atinge pessoas de todas as classes. É preciso compreender que não existe uma única razão para a alta nos preços dos combustíveis, que já subiram 40% em relação o ano passado. Taxa de câmbio, preço do petróleo, oferta e demanda, tributos federais e estaduais… vários elementos entram na conta. Um deles é a desvalorização do real frente ao dólar que, por si só, já responde por uma boa parcela da elevação atual nos preços, já que a Petrobras mantém uma política de paridade internacional para o preço do petróleo, matéria-prima da gasolina. Apontar o ICMS, imposto estadual, como vilão dos preços é apostar na ignorância das pessoas, pelo simples fato de que, em quase todos os Estados, a alíquota do imposto permanece inalterada há anos. No Amazonas, a alíquota de 25% de ICMS sobre a gasolina é a mesma há 24 anos. Ou seja: se o custo da gasolina explode nas bombas, está claro que não é por causa do ICMS.
As pessoas querem saber quando os preços dos combustíveis vão parar de subir. Não é possível estabelecer um prazo. Especialistas concordam que a tendência de alta só deve ser encerrada quando uma combinação dos fatores citados anteriormente permitir.
Mais importante que procurar “culpados”, é desenvolver formas de aplacar o sofrimento das pessoas afetadas diretamente pela alta dos combustíveis. Esta deveria ser a preocupação do governo federal em conjunto com os governadores. Subsídio para entregadores e motoristas por aplicativos, investimentos em transporte público de qualidade, estímulo federal à redução das alíquotas de ICMS nos Estados a partir de compensações… Algo precisaria estar pelo menos em discussão. Em vez disso, o que se vê é uma crise institucional de proporções inéditas que serve apenas para agravar ainda mais a situação econômica do País.
A crise dos combustíveis só será superada com o reequilíbrio da economia nacional, retomada dos empregos, do consumo e das atividades produtivas. E tudo isso depende fundamentalmente da harmonia plena entre as esferas de governo.