GARANTIR O DIREITO À EDUCAÇÃO DE ADOLESCENTES E JOVENS
IBGE mostra que, na região Norte, são mais de um milhão de adolescentes forçados a abandonar os estudos para ajudar na renda familiar
Os indicadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que uma multidão de estudantes deixa de frequentar a escola nos níveis fundamental e médio. Na região Norte, são mais de um milhão de adolescentes e jovens forçados a abandonar o ciclo normal de formação escolar para ajudar na renda familiar.
Parcela desse contingente não retorna mais à escola e uma outra parte, a que consegue voltar à escola, o faz em situação de dificuldades diversas e de profundo desnivelamento quanto ao processo de escolarização. No Estado do Amazonas, a situação é tratada sob os efeitos de uma confusão estratégica que envolve vários aspectos, desde a omissão governamental que se revela ineficiente para alcançar a realidade dos municípios e de comunidades classificadas como isoladas, a produção de números destinados a atender demandas da política nacional de educação e a destinação de verbas que não são efetivos, apenas servem para criar a sensação de que a comunidade estudantil está sendo contemplada em suas necessidades básicas.
Os governos dos municípios e suas estruturas destinadas à educação e ao fomento da política educacional seriam os primeiros a erguer a bandeira para que as cidades pudessem apresentar indicadores de desenvolvimento escolar mais positivos. E plano de ação que demonstre as etapas a serem cumpridas até cada município conquistar o nível adequado. De modo recorrente, gestores optam por outros arranjos que deixem os setores de educação e saúde em desvantagem.
A quantidade de pessoas que está sendo empurrada para fora da escola nesta parte do Brasil deveria ser levada a sério e colocada como agenda prioritária capaz de sobrepor-se sobre determinados interesses políticos mais restritos. Minimizar o contingente fora da escola como sendo parte de um processo normal é submeter parcela significativa da população local e regional à subcidadania e manter em funcionamento a regra de negação de um direito fundamentação.
O cenário apresentado pede reação a curto, médio e longo prazos como forma de superar os obstáculos que se perpetuam. As forças vivas e de bem, a sensatez dos poderes executivo, legislativo e judiciário podem e devem promover um movimento articulado, estratégico e criativo para retirar o Amazonas desse quadro denunciador em si mesmo. Adolescentes e jovens são responsabilidade compartilhada do Estado, das famílias e das comunidades.