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A Crítica
Opinião

Juros, guerras e incertezas

Especialistas divergem sobre o que seria um longo período – podem ser três meses, pode ser até o final do ano, pode adentrar 2026... Não há muita certeza.

Publicado em 25/06/2025 às 08h56
Juros, guerras e incertezas
Foto: Agência Brasil

O Banco Central anunciou, na ata da última reunião do Copom, que a taxa básica de juros da economia brasileira, a taxa Selic, deverá permanecer em 15% por “um longo período”.

Especialistas divergem sobre o que seria um longo período – podem ser três meses, pode ser até o final do ano, pode adentrar 2026… Não há muita certeza.

De qualquer forma, vale ressaltar que, quando a reunião foi realizada, nos dias 17 e 18 de junho, a tensão internacional em torno do conflito entre Israel e Irã não havia se agravado como visto nos últimos dias. Certamente, o teor da ata seria diferente em face dos riscos que a escalada do conflito representa.

É certo que há um cessar-fogo em vigor, conforme anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ontem. No entanto, a manutenção da paz não está assegurada, a região segue como um barril de pólvora e há muita expectativa pelo desenrolar dos acontecimentos nos próximos dias.

A possível retomada das hostilidades, com eventuais reflexos sobre o transporte de petróleo, teria efeitos catastróficos sobre a economia mundial. E a inflação no Brasil, que já é pressionada por fatores internos, também seria impactada pela tempestade no cenário internacional.

Resta-nos aguardar e torcer pelo pleno restabelecimento da paz, ou, pelo menos, pela convivência minimamente pacífica entre israelenses e iranianos.

Se esse panorama for confirmado, a Selic em 15% deverá mesmo ser mantida por um incerto “longo período”. Nesse tempo, os técnicos do Banco Central vão avaliar se a medida surte o efeito esperado: conter o avanço dos preços e trazer o índice de inflação para as metas estabelecidas.

O problema é que, enquanto isso, os brasileiros terão que conviver com a maior taxa de juros básicos em 20 anos. Financiamentos, crédito pessoal, empréstimos e todas as atividades que envolvam a aplicação de juros, já estão sendo impactadas.

O próprio Copom, ao optar pela interrupção do movimento de alta nos juros, de certa forma, reconhece os danos potenciais de uma Selic fixada em 15%. Economistas costumam dizer que a Selic deve ser usada com muito critério, pois uma dose muito forte do remédio “pode até matar o paciente”.