O Brasil que eu quero
Defesa da liberdade, combate à corrupção e valorização regional sintetizam o apelo à consciência antes de ir às urnas
O Brasil vive, mais uma vez, um daqueles momentos em que somos chamados a refletir sobre o país que temos, o país que desejamos e, sobretudo, sobre a responsabilidade que nos cabe na construção do nosso futuro.
Em 2026, diante de mais uma eleição nacional, não podemos ignorar a importância das nossas escolhas. Vivemos tempos de profundas transformações, de incertezas e de inquietações, mas também de oportunidades para reafirmar os valores que consideramos essenciais à vida em sociedade.
Sempre entendi que a política, gostemos ou não, interfere diretamente em nossas vidas. É por meio das decisões políticas que se definem os caminhos da economia, da educação, da saúde, da segurança pública e das liberdades individuais. A indiferença, portanto, não nos isenta de responsabilidade. Ao contrário, a omissão também produz terríveis consequências. Falando ou silenciando, participando ou nos afastando, votando ou deixando de votar, todos nós, em alguma medida, contribuímos para determinar o destino do Brasil que entregaremos aos nossos filhos e netos.
É por isso que, mais uma vez, sinto o dever de cidadão de manifestar aquilo em que acredito. Não o faço com a pretension de ser dono da verdade, tampouco de desqualificar quem pensa de maneira diferente. Faço-o porque entendo que a democracia pressupõe liberdade de pensamento, coragem para expressar convicções e, acima de tudo, respeito às divergências. Afinal, não precisamos pensar da mesma maneira para amar o mesmo país.
Em primeiro lugar, reafirmo a minha fé em Deus, revelado a nós por Jesus Cristo, e o desejo de que seus ensinamentos de amor, justiça, misericórdia e fraternidade iluminem os nossos caminhos. Mas quero, igualmente, um Brasil onde todos, sem distinção, possam professar livremente suas crenças, em que a fé verdadeira não se imponha pela força, mas pelo amor, bondade, caridade e concórdia. Acredito que todo aquele que pratica o bem, acolhe o próximo e age com justiça, ainda que percorra caminhos espirituais diferentes dos meus, contribui para fazer prevalecer a luz sobre as trevas.
Quero, também, um país que respeite, valorize e proteja a família, em suas diferentes formas de constituição, reconhecendo nela um dos fundamentos mais importantes da sociedade. É no ambiente familiar, sustentado pelo afeto e pelo compromisso recíproco, que recebemos as primeiras lições de convivência, respeito, solidariedade e amor. É ali que aprendemos a cuidar uns dos outros, a reconhecer limites, a ter noções de hierarquia, a compreender deveres e a cultivar valores que nos acompanharão por toda a vida. A família é, para muitos de nós, o primeiro abrigo e, não raramente, o último refúgio. Por isso, não posso concordar com projetos políticos ou ideológicos que procurem enfraquecê-la, desconsiderar sua importância ou substituir seus vínculos naturais de afeto e responsabilidade pela tutela excessiva do Estado.
Desde menino, aprendi também a amar a minha pátria. Amo o Brasil e, de maneira muito especial, o Amazonas, a terra onde estão fincadas as minhas raízes e à qual me ligam sentimentos profundos de pertencimento e gratidão. Ainda hoje, ao ouvir o Hino Nacional ou contemplar a nossa bandeira, sinto a mesma emoção de outros tempos. Não se trata de um patriotismo de ocasião, muito menos de uma manifestação de superioridade sobre outros povos. Trata-se do orgulho de pertencer a uma nação extraordinária, rica em diversidade, cultura, história e possibilidades.
E, como amazonense, não posso deixar de desejar um país que compreenda a importância estratégica da Amazônia, que respeite os direitos de sua população e que assegure à região condições efetivas de desenvolvimento, prosperidade e integração nacional. A Amazônia não pode continuar sendo lembrada apenas nos discursos ou tratada como um território distante, sobre o qual todos opinam, mas cujas necessidades concretas são desconsideradas.
Quero, ainda, um Brasil em que a liberdade seja respeitada, a Justiça seja verdadeiramente independente e a Constituição esteja acima das conveniências de quem exerce o poder. Nenhuma democracia se fortalece com a intolerância, com a perseguição de adversários ou com a aplicação seletiva das leis. O respeito às instituições é indispensável, mas igualmente indispensável é que elas atuem dentro dos limites constitucionais, com equilíbrio, transparência e, fundamentalmente, imparcialidade. A liberdade de expressão, o devido processo legal, a presunção de inocência e a igualdade de todos perante a lei não podem depender das preferências políticas de quem governa ou julga. São garantias que pertencem a todos os cidadãos.