Ataques DDoS disparam 1.286% em todo o mundo
Brasil registrou crescimento, com 487.415 ataques de alta capacidade no primeiro semestre
Mais de 9,1 milhões de ataques de negação de serviço distribuída (DDoS) foram registrados no mundo entre janeiro e junho de 2026, segundo o novo relatório da NETSCOUT® SYSTEMS, INC. (NASDAQ: NTCT). O Relatório de Inteligência sobre Ameaças DDoS do primeiro semestre de 2026 aponta mudança significativa na forma como esses ataques são lançados e originados e indica que o risco cresce em três frentes: o volume de tráfego que precisa ser inspecionado, o número de locais onde a mitigação deve ser implementada e a proporção de ataques que interrompem serviços sem nunca saturar um link.
“O aumento de 1.286% nos ataques que ultrapassam 1 Tbps ou 1 Gpps significa que incidentes de alta capacidade já não são anomalias; são rotineiros”, declarou Hardik Modi, Vice-Presidente de Engenharia, Soluções DDoS e Equipe de Inteligência de Ameaças ASERT da NETSCOUT. “Com a proliferação de proxies residenciais e ataques de curta duração baseados em taxa de tráfego provenientes de plataformas DDoS de aluguel (DDoS-for-hire) sob demanda, os controles de rede genéricos e tradicionais tornaram-se insuficientes. Tanto os provedores como as organizações necessitam de mitigação seletiva e mais precisa, bem como de maior capacidade de filtragem (scrubbing) nas extremidades da rede para combater estas mudanças qualitativas na sofisticação dos ataques”.
Ataques no Brasil
O Brasil continua sendo alvo expressivo para ataques de negação de serviço distribuído (DDoS) na América Latina. De acordo com o relatório, o país registrou 487.415 ataques entre janeiro e junho de 2026 – comparando com o segundo semestre de 2025 o país registrou 470.677 ataques entre julho e dezembro. Um aumento de 3,56%.
A duração média desses ataques no período foi de 59,31 minutos. O volume coloca o Brasil no centro do mapa regional de ameaças cibernéticas, refletindo tanto a dimensão de sua infraestrutura digital quanto a atratividade do mercado para grupos de ataque.
Setores mais visados
O levantamento mostra que as empresas de telecomunicações sem fio (exceto satélite) foram o principal alvo no país, aparecendo em 1º lugar no top 10, concentrando 141.400 ataques. Em 2º lugar, aparecem os provedores de infraestrutura de computação e serviços de hospedagem na web, com 50.499 incidentes, e em 3º as operadoras de telecomunicações com fio, que registraram 27.967 ataques.
Outros segmentos também figuram entre os dez mais atingidos, evidenciando a diversidade de alvos das campanhas de DDoS no primeiro semestre de 2026:
- Outras empresas de telecomunicações – 5.656 ataques
- Bancos comerciais – 4.235 ataques
- Restaurantes de serviço completo – 3.206 ataques
- Serviços de consultoria em distribuição física e logística – 2.581 ataques
- Varejistas de brinquedos e passatempos – 2.289 ataques
- Comércio atacadista de equipamentos para escritório – 2.116 ataques
- Transporte rodoviário de cargas – 1.863 ataques
Vetores mais utilizados
A análise também identificou a frequência dos principais vetores empregados pelos atacantes no Brasil. Os cinco vetores de ataque mais frequentes registraram, respectivamente: TCP ACK (138.626), DNS Amplification (61.575), TCP SYN (37.481), DNS (20.736) e TCP SYN/ACK Amplification (18.044 ocorrências). Dentre os 24 vetores combinados nesses ataques complexos, destacam-se métodos como DNS Amplification, TCP ACK, TCP RST, TCP SYN e UDP.
O mais recente relatório global da NETSCOUT sobre ataques de negação de serviço distribuído (DDoS) mostra a expansão do risco operacional para organizações e provedores de serviços. Por meio do sistema NETSCOUT ATLAS, a empresa registrou mais de 9,1 milhões de ataques em 209 países e territórios.
Um dos principais destaques do levantamento é o aumento do impacto dos ataques de alta capacidade. Os ataques superiores a 1 Tbps ou 1 Gpps cresceram 1.286% em relação ao ano anterior, o que sinaliza que as equipes de defesa precisam continuar se preparando para uma intensidade cada vez maior de ofensivas.
O relatório também registra um marco no uso do protocolo IPv6. A NETSCOUT identificou seu primeiro ataque IPv6 acima de 1 Tbps. Embora a proporção do IPv6 no total de ataques tenha se mantido estável, a mitigação ativa dessas ameaças aumentou mais de 300% em relação ao mesmo período do ano anterior, o que demonstra a importância de manter uma proteção sólida também para esse protocolo.
As operadoras de telecomunicações enfrentam pressão crescente nas atividades de mitigação. Os métodos de caminho direto (direct-path) representaram 64% dos ataques observados e ganharam destaque pelo terceiro semestre consecutivo. O carpet-bombing (bombardeio massivo) cresceu de 3,97% para 4,54% dos ataques, e os ataques de saída (outbound) que ultrapassaram 1 Tbps ou 1 Gpps causaram impactos operacionais. Segundo o relatório, a capacidade de mitigação dedicada continua sendo a camada seletiva de que os provedores necessitam para filtrar de forma inteligente o tráfego malicioso.
Outro ponto de atenção é a economia dos ataques. Aqueles com duração de um minuto ou menos quase dobraram sua participação desde o segundo semestre de 2023, sobrecarregando tabelas de conexões, backends de aplicações e resolvedores DNS. O dado indica que as plataformas de DDoS de aluguel (DDoS-for-hire) estão encurtando o caminho para a realização dos ataques.
O estudo trata ainda da cadeia de suprimentos de proxies residenciais. Ao combinar a inteligência de redes de proxies residenciais com a telemetria de ataques DDoS, o NETSCOUT ASERT mapeou origens de proxies residenciais ativas em ataques. O resultado evidencia que o tráfego malicioso pode partir de IPs de consumidores finais, o que dificulta sua identificação.
“Tanto os provedores como as organizações necessitam de mitigação seletiva e mais precisa, bem como de maior capacidade de filtragem (scrubbing) nas extremidades da rede para combater estas mudanças qualitativas na sofisticação dos ataques”Hardik Modi, Vice-Presidente de Engenharia
Sites foram retirados do ar
Recentemente, agências governamentais e empresas em diferentes países tiraram sites do ar nesta quarta-feira (21) após a descoberta de duas falhas críticas relacionadas ao PHP, linguagem de programação utilizada em grande parte dos sites da internet. A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) pediu que as organizações corrigissem as falhas imediatamente ou desligassem os sistemas vulneráveis.As falhas “frequentemente proporcionam um caminho direto para o sistema de arquivos ou para o banco de dados do servidor”, afirmou a NSA em um comunicado no X.
O PHP é usado em plataformas populares de criação de sites, o que significa que as falhas podem afetar uma grande variedade de páginas na internet, de lojas online e veículos de notícias a serviços governamentais.
A descoberta ocorreu em meio ao auge de divulgações sobre segurança de software impulsionado por modelos de inteligência artificial (IA) cada vez mais poderosos.
Mantida a tendência atual, o número de vulnerabilidades detectadas em 2026 pode dobrar o recorde alcançado no ano passado.
As falhas foram reportadas em agosto pela empresa de segurança Calif e pela OpenAI, criadora do ChatGPT, que as identificou de forma independente no mesmo dia. Posteriormente, a Wiz, empresa de segurança na nuvem pertencente ao Google, informou ter encontrado outras maneiras de explorar as vulnerabilidades.